Espírito coletivo | Capítulo 2

Uma casa de concreto onde os espaços se conversam e todos são bem-vindos

O Paulo Filisetti é arquiteto e tem um imóvel em São Paulo cheio de detalhes interessantes. Caso tenha perdido o primeiro capítulo dessa história, acompanhe tudo AQUI.

… Os elementos originais construídos nos anos 30, as intervenções estruturais realizadas pelo próprio morador e as lembranças que os ambientes guardam dão vida às paredes de concreto e tijolinho. Frequentada por pessoas de todas as idades e de muitos países, a casa reflete o estilo de vida do Paulo e sua forma de enxergar o mundo, mas também está aberta a novas interpretações e usos. Os espaços possuem poucas barreiras visuais, o que promove uma integração constante com os jardins das laterais ou mesmo dos pisos superiores.

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Antônio Marcos Silva, pai de Paulo, também era arquiteto, porém dedicou-se mais ao artesanato brasileiro. Ao lado da inglesa Maureen Bisilliat e de seu marido, o francês Jaques Bisilliat, Antônio criou a galeria de arte popular O Bode, onde peças garimpadas Brasil afora e criadas por artesãos anônimos tinham o merecido destaque. Famosa nos anos 70 e 80, a loja contribuiu para a valorização do trabalho artesanal de forma revolucionária para a época. Hoje em dia uma parte desse acervo ocupa os cômodos do imóvel herdado por Paulo e seu irmão, como banquinhos de madeira e esculturas.

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Entre todos esses objetos com memórias de família, um é mais especial. O santo de barro pintado de branco que fica sobre a geladeira veio do Nordeste e pertencia à coleção de Antônio, por isso é uma daquelas coisas que se expõe com carinho. Móveis com assento de palhinha, clássicos do design como uma cadeira de balanço Thonet e cestos de fibra indígenas completam o cenário ao lado de itens comprados recentemente para oferecer mais conforto aos hóspedes.

A construção já possuía muitas janelas antes da reforma, mas o proprietário quis ampliar a entrada de luz natural através de soluções nada convencionais. Na cozinha, que foi um dos ambientes mais modificados pela obra, as aberturas estão em pontos inusitados, como as coberturas de vidro que revelam parte do terraço no andar de cima ou as esquadrias que substituíram as paredes laterais. Outros espaços ganharam tijolos ou telhas de vidro que reforçam a iluminação indiretamente, assim o sol está sempre presente e forma desenhos bonitos na arquitetura.

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Atualmente o Paulo não vive mais no imóvel porque o considera grande demais, porém está lá quase todos os dias organizando os detalhes e recebendo os turistas que vêm se hospedar no esquema bed & breakfast. Ele acredita que os cômodos precisam ser preenchidos, então gosta de abrir as portas e deixar as pessoas frequentarem o lugar. Em sua opinião a arquitetura é a expressão da vida e de nós mesmos, por isso fez tanta questão de que o projeto revelasse seu jeito de solucionar e o que prioriza em um lar. Mesmo que o Paulo venda a casa e se mude em definitivo, no fundo ela será sempre dele.

fim-final

Fotos por Rafaela Paoli

Deixe seu comentário 4 Comentários

  1. Que casa encantadora morri de amores

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  2. Adorei o lugar, gostaria de me hospedar la. Poderiam me mandar o contato?

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  3. Se tem cachorro, tem vida e gente de bem!!!

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Histórias

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