Um lugar só meu | Capítulo 2

O apartamento cheio de detalhes poéticos criado pela artista Verena Smit

A Verena Smit é uma jovem artista que já viveu em imóveis alugados, morou em NY durante dois anos e agora finalmente tem um canto para chamar de seu. Perdeu o começo da história? Leia aqui o primeiro capítulo e veja mais fotos.

… Mais do que um refúgio, Verena encara o apê como uma forma de expressão. Ela trabalha em casa, então é ali que cria e se inspira. Talvez a liberdade de morar sozinha e a sensação de estar completamente à vontade façam com que ela tenha mais segurança para arriscar e explorar novas técnicas e estéticas. Seu espaço influencia diretamente sua carreira e tem a ver até com as roupas que usa. Em seu closet predominam as cores preto, branco e cinza, também replicadas nos revestimentos, na decoração e nas fotografias que levam sua assinatura.

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Todos dizem que as paredes têm ouvidos, mas na verdade nesse apartamento elas falam. Tudo o que a Verena sempre quis fazer nos outros endereços, só que nunca pôde, ela extravasou nas superfícies brancas que agora são suas: colagens, carimbos, rabiscos, quadros… Cada intervenção tem um sentido. Aliás, essa mania deu origem a uma nova série de trabalhos da artista, com frases e palavras cheias de significados escondidos. Bilhetes, recortes e até folhas secas completam as mensagens.

A maioria dos objetos e móveis também não está ali por acaso. Coisas ganhadas agora ou há anos são expostas como lembranças abertas para todos: as fotos na geladeira, a tiara de aniversário, os enfeites dos amigos que estão apenas “hospedados” com ela… Um nicho de madeira meio detonado serve de mesa lateral ou banco improvisado ao lado do sofá — herança dos tempos da faculdade de cinema e das madrugadas perdidas montando cenários.

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Outra peça interessante é a mesa de jantar, que pertencia à avó da moradora e já deve ter uns 50 anos. O móvel é versátil, pois tem altura regulável e um tampo que consegue ser dobrado no meio, então a qualquer hora ele pode virar mesinha de centro. Já o armário com encaixes de madeira que apóia o microondas foi presente de uma amiga. (Espie a cozinha no Capítulo 1).

Entre tantos elementos originais e com memória, a cadeira de ferro meio caidinha que fica no quarto tem uma das melhores histórias. Um dia enquanto passeava pelo Lower East Side, em Nova York, Verena cruzou com um homem na calçada cercado por vários modelos vermelhos da cadeira Tolix. Sem saber direito se ele estava vendendo os itens ou não, ela chegou mais perto para perguntar o valor. Para sua surpresa, a resposta foi algo assim: “Te dou uma de graça em troca de 15 minutos de conversa”. Algum tempo e um bate-papo depois, ela levava o móvel debaixo do braço.

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Quando era mais jovem, Verena chegou a pensar que faria algo relacionado à decoração, mas acabou estudando teatro e cinema, e depois trabalhando com fotografia e arte. Independentemente do caminho escolhido, ela sempre esteve cercada pelo universo criativo — e agora o epicentro de tudo isso é o simpático apartamento em Santa Cecília.

fim-final

Fotos por Rafaela Paoli

Deixe seu comentário 2 Comentários

  1. Olá. Fiquei com vontade de conversar com o cara da cadeira! Por favor, de onde são a escrivaninha preta e a roupa de cama com tons de vermelho?

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    • Oi Cristina, tudo bom?
      Muito legal a história dessa cadeira, né?
      Como a moradora ficou um tempo em NY, acabou trazendo bastante coisa de lá, incluindo a escrivaninha e a roupa de cama (que é da Ikea).
      😉

      Responder

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Histórias

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