Legado de família | Capítulo 1

O apartamento integrado e feminino da publicitária Marina Jaeger

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

O talento para a decoração está no DNA de Marina Jaeger. Filha do designer Fernando Jaeger, conhecido por seus móveis de desenho contemporâneo, e da arquiteta Yáskara Jaeger, a publicitária que hoje ajuda a administrar a empresa da família sempre esteve inserida nesse universo, ainda que inconscientemente. Marina cresceu ouvindo os pais falarem sobre o assunto e os acompanhando em visitas a lojas, museus e até mesmo hotéis inusitados. Essa vivência fez com que ela desenvolvesse um olhar treinado para o belo, então não é à toa que seu apartamento misture referências, cores e peças de um jeito inspirador.

Na época em que decidiu deixar o ninho, cerca de quatro anos atrás, Marina escolheu um imóvel estilo loft que ainda estava na planta. A empreitada, porém, teve um desfecho frustrante: próximo à data de entrega o projeto foi declinado e a venda cancelada. Para não correr o risco de isso acontecer novamente, ela achou melhor investir em um apê que já estivesse pronto e que ficasse em um bairro com diversas opções de comércio e lazer para que o carro não precisasse sair da garagem toda hora.

Através de uma imobiliária voltada para um público jovem e que se interessa por arquitetura, Marina encontrou um apartamento no Itaim Bibi que atendeu às suas expectativas. Construído nos anos 70, o prédio leva a assinatura de ninguém menos que Ruy Ohtake e sua estrutura apresenta muitos elementos em concreto aparente, uma forte característica das obras do arquiteto. O material está presente em toda a fachada do edifício, nas escadas, nas colunas internas, no volume que abriga o lavabo e até mesmo em prateleiras sob a janela que vão de ponta a ponta do living.

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Quando os Jaeger descobriram o imóvel ele já tinha passado por algumas reformas e o resultado ia de encontro com os sonhos da futura moradora. Os antigos proprietários, uma nova-iorquina casada com um brasileiro, haviam removido várias paredes para ampliar os espaços e a entrada de luz natural: a cozinha já estava integrada ao restante, a área de serviço foi reduzida, o corredor dos quartos cedeu sua metragem à sala de estar e um dos dormitórios foi transformado em home office. Diante de uma planta tão bem distribuída, Marina só precisou mudar pequenos detalhes para que o lugar ficasse do jeitinho que ela queria, como trocar o piso dos banheiros, substituir os armários e pintar os cômodos. Em poucos meses o apê estava pronto para receber novas histórias.

Com “consultores” tão bons como seus próprios pais, a publicitária sabia que a decoração seria feita a seis mãos. Enquanto ela já tinha uma ideia de que peças e objetos escolheria, Fernando e Yáskara a ajudaram a adaptar os ambientes e fizeram inúmeras (e bem-vindas) sugestões. Apesar de se identificar com a maioria dos móveis da marca de sua família, a moradora sempre teve seus queridinhos, como a Mesa Saturno e a Cadeira Marina, que ocupam a sala de jantar, a Poltrona Fulô estampada do escritório e o tapete grandão em tons de roxo. Em harmonia com o piso clarinho do living e com o acabamento de cimento queimado, esses itens criam um clima aconchegante na casa.

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Misturar cores nunca foi um problema para os Jaeger: “Eu sempre vivi em ambientes coloridos, pois meus pais se identificam com esse estilo. As próprias coleções das lojas têm essa característica e eu acredito que seja por influência da minha mãe, já que ela ajuda a escolher os acabamentos e tecidos dos produtos. Por isso meu apartamento não poderia deixar de ser um pouco assim também, com vários tons marcantes e alguns pontos neutros para trazer calmaria”, resume Marina. Nas paredes, no estofamento das cadeiras, no pufe estampado, nas banquetas da cozinha e nas almofadas, pinceladas em cores alegres deixam a decoração mais jovem e divertida.

Outra herança de família é a intimidade com as plantas. A publicitária morou sua vida inteira em casas com quintal e em contato direto com a natureza, então acabou levando um pouco disso para o novo endereço. Além de admirar o contraste do verde sobre os outros detalhes dos espaços, ela reconhece que esse paisagismo pontual muda completamente a atmosfera do lugar. Acomodadas em vasos de cimento sobre as prateleiras que formam uma estante na sala, as espécies desfrutam da intensa luz natural que banha o apê durante boa parte do dia.

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Quem passeia o olhar pelos cômodos abertos consegue notar três arranjos de objetos que se destacam dos demais. São as coleções da moradora, agrupadas em diferentes momentos de sua vida. A mais antiga delas é a coleção de bolinhas, exposta em potes de vidro e atração das crianças que visitam o apartamento – são modelos coloridos, com texturas e tamanhos variados. Já a mais recente começou por acaso e é formada por peças de cerâmica na cor branca. Os primeiros itens, vasos em miniatura e um pequeno coelho, foram trazidos de uma viagem, mas assim que Marina os reuniu ela percebeu o potencial dessa composição monocromática. Seu objetivo agora é preencher todo esse lado da estante com coisas brancas.

A terceira coleção, e talvez a mais significativa de todas, é na verdade uma galeria no home office. Sentindo falta de algum elemento interessante nesse ambiente, a publicitária e sua mãe resolveram garimpar quadros e objetos para montar uma parede surpreendente. Após pintarem a superfície em um tom azul acinzentado que chamaria a atenção para os artigos pendurados, as duas fixaram ali quadros menores que estavam meio perdidos pela casa. A partir daí cada viagem que Marina faz tem um propósito a mais: procurar coisas para a tal parede. “Ela acabou virando mais um motivo para nos reunirmos, porque sempre que junto uma quantidade de novidades para pendurar chamo meu pai e minha mãe e passamos um tempo arrumando as coisas, experimentando posições e mudando itens de lugar. Além disso, as pessoas vão me dando presentes para serem colocados lá. Tenho quadros, cabeças de bichos, pratos, azulejos, desenhos feitos pelo meu irmão, a gravura de uma amiga, fotos, postais… Enfim, tudo conta uma história”.

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A moradora gosta de lembrar que apesar de hoje seu lar estar repleto de personalidade, levou um tempo para que ela chegasse a esse resultado. Marina sabe que na verdade esse processo nunca acaba – primeiro porque demoramos até conseguir preencher todos os espaços, segundo porque nosso gosto se transforma e é natural que a casa reflita essa busca pelo novo. Mas com ou sem pequenas mudanças, o que importa para ela é poder morar onde nos sentimos verdadeiramente à vontade.

Está gostando do tour e quer espiar o restante do apê? Aguarde o Capítulo 2, com muitas fotos e detalhes bacanas.

Continua-final

Fotos por Luiza Florenzano

Deixe seu comentário 20 Comentários

  1. Lindo demais! Estou apaixonada pelos vasos de concreto, que ainda não consegui encontrar pra comprar, e pelo tapete.

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  2. Lindo demais esse cantinho <3

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  3. Tudo muito lindo, ainda vou ter um apê assim…. sabe me dizer qual é a tinta da parede azul acinzentado??

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  4. Olá! tudo lindo! agora esse vaso da última foto é de morrer!

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  5. Por favor, qual a cor dessa parede de quadrinhos?
    Casa linda. Parabéns!

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  6. Lindo demais! Amei esse tom acinzentado da parede, deu um pano de fundo interessante aos quadrinhos (sem fugir do neutro). Será que a proprietária saberia informar o nome da cor? Também tenho uma parede de quadros com potencial que precisa de uma cor.

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  7. Maravilhoso!
    Muito amor em cada detalhe. Adorei a parede com quadrinhos e afins.
    Poderiam colocar o tapete e a cabeça de cervo no “onde encontrar” 😉

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  8. Procurei no site e não achei esse tapete 🙁 ele é só sob encomenda?

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  9. Vcs poderiam dizer que planta é essa no vaso grande que fica no chão da sala? Estou a procura de uma planta assim: grande e vistosa e que se adapte a ambientes internos. Obrigada!

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    • Oi Viviane, tudo bom?
      Essa espécie se chama Ciclantus — nós também amamos e pessoalmente ela é mais bonita ainda.
      Tomara que você consiga encontrar e que fique lindo!
      Beijos

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  10. Temos o nome dessa imobiliária que acha aptos lindos em SP? 😉

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  11. Gente, que lindo! Amei esse apê principalmente essa parede de quadros porque, mesmo eles não sendo nada parecidos, eles se complementam. Amei o tom da parede também. Lindo, lindo!
    https://oladobeldavida.wordpress.com/

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Histórias

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