Uma visita ao passado | Capítulo 2

Um apartamento que mistura os estilos vintage e kitsch

A palavra monotonia não pertence ao vocabulário de Felipe e Juan, um empresário e um arquiteto que vivem juntos no centro de São Paulo. Isso explica porque a morada do casal, que sempre tem algo novo a ser descoberto, se transformou no ponto de encontro de amigos artistas, fotógrafos, designers… Único em cada detalhe, o apartamento reúne móveis vintage herdados, peças garimpadas pela cidade e muitos objetos curiosos – do tipo que dá vontade de olhar mais de perto para entender direito, sabe? Ontem publicamos o Capítulo 1 dessa história, então quem perdeu pode ler tudo AQUI.

Como acontece em grande parte do apê, a cozinha parece ter saído dos anos 50. Apesar de terem reformado o ambiente e substituído o antigo piso por ladrilhos hidráulicos, os moradores fizeram questão de preservar elementos originais da construção, como os armários com ventilação, as prateleiras de granilite embutidas, as esquadrias de ferro, a bancada da pia… Já os azulejos, que não estavam em boas condições, foram cobertos por massa corrida e tinta epóxi, por isso estão totalmente imperceptíveis. Apoiado em uma prateleirinha de pedra, o filtro de barro é um dos itens preferidos de Felipe: “Acho que ele faz parte do universo simbólico do que uma casa deveria ter na cozinha.”.

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Graças à disposição inteligente dos cômodos, o apartamento recebe luz natural através das duas fachadas, o que estimula ainda mais o cultivo das plantas de estimação do casal. Nos fundos, a área de serviço tinha tanto potencial que Felipe e Juan resolveram transformá-la em uma espécie de jardim suspenso. O tanque e a máquina de lavar estão lá, porém agora compartilham o espaço com samambaias, antúrios, costelas-de-adão, pacovás… Além da vantagem de ter contato com a natureza, os moradores sabem que essa profusão de vasos contribui, e muito, para que o apê ganhe um clima aconchegante de casa.

Desde o começo o casal comemora cada avanço e cada broto que surge ainda tímido em meio aos galhos, tanto que até hoje eles se lembram da primeira vez em que pararam para admirar as sombras das folhas nas janelas de vidro. “O cheiro da terra molhada, a presença do verde por todos os lados e a contínua transformação dessa nossa paisagem nos mantêm vivos. É como se estivéssemos em uma casa de campo em pleno centro da cidade.”, revela Juan. Na verdade, se dependesse dele os ambientes seriam praticamente uma selva, mas como quem cuida das plantas é o Felipe, a entrada de novas espécies agora é controlada.

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Como um respiro bem-vindo entre tantos objetos, folhas e formas, o quarto de Felipe e Juan não é tão extravagante quanto o restante da decoração. Além dos armários embutidos, originais do prédio, e de uma ampla escrivaninha de apoio, o cômodo basicamente se resume à cama e ao criado-mudo. Nesse canto são os pequenos detalhes que fazem a diferença: livros de cabeceira, uma luminária bacana, o pôster de colagens feito recentemente pelo próprio arquiteto e a echarpe chinesa vermelha, uma relíquia herdada da bisavó de Juan que às vezes é usada como manta. Virado para a lavanderia-jardim, o ambiente é um dos mais silenciosos do apartamento, já que fica longe da rua.

No lado oposto do corredor está o dormitório extra, com múltiplas funções. Foi ali que o casal instalou a televisão, evitando que o aparelho ocupasse muito espaço na sala, e também uma bancada de estudos, com computador, impressora, livros e todo o aparato necessário. Tanto Felipe quanto Juan consegue trabalhar no apê, o que para eles é uma maravilha: “Eu adoro receber os meus clientes em casa. Gosto que sintam o que eu sinto aqui e quero poder transmitir essa energia para os meus projetos.”, confessa o arquiteto. Confortável para os momentos de lazer, leitura ou trabalho, o quarto ainda serve para acomodar amigos e hóspedes.

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É impossível visitar esse apartamento e não distinguir em cada canto a personalidade dos moradores ou a forma como eles enxergam o mundo – de um jeito colorido, bem-humorado e sem regras. O segredo para uma história tão interessante? Não existe fórmula, nem nada disso, mas Felipe e Juan conseguem resumir muito bem o que os motiva: “Nosso lar é o reflexo de um contínuo diálogo entre duas pessoas que habitam um espaço em comum. Às vezes guardamos um objeto, em outras mostramos todos. Compramos juntos, separados… Negociamos nossas fronteiras. Aqui nos reconhecemos individual e coletivamente”. E o papel da casa não é exatamente esse?

fim-final

Fotos por Luiza Florenzano

Deixe seu comentário 8 Comentários

  1. que post lindo ♥ aliás, que cafofo lindo. daqueles quem aquecem o coração mesmo né 🙂

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  2. Gente! Que casa é essa? Simplesmente apaixonada por cada cantinho. E que sorrisos contagiantes do Felipe e do Juan! Parabéns!

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  3. minha nossa, amei essa casa com muita força <3

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  4. Meu Deus, uma história mais bacana que a outra, e todas as casas tenho vontade de “copiar” algo!!!!!

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    • Hahaha, que bom que está gostando Reginaldo!
      É pra isso que mostramos tantas casas lindas — pra inspirar e “copiar” mesmo. 🙂

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  5. Olha Felipe e Juan aceito um convite pra tomar um café quentinho sentada nesta varanda linda, parabéns…

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  6. Eu tenho aquela peça de cerâmica azul e branca que faz referência às Meninas de Velasquez é de uma marca Galega chamada Sargadelos. Comprei em Madri. Que saudade!!!!!!

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Histórias

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