Poesia do morar | Capítulo 2

Concreto e paredes coloridas se encontram na casa projetada por Rodrigo Ohtake

Não é qualquer pessoa que veria potencial em uma construção abandonada, com mato saindo pelas janelas e revestimentos condenados, mas a jornalista e assessora de imprensa Mercedes Tristão foi além da fachada nada promissora e enxergou ali seu futuro endereço. Com muito trabalho e uma obra profunda comandada pelo arquiteto e amigo Rodrigo Ohtake, o lugar realmente se transformou em um refúgio bem iluminado, pontuado por cores divertidas e totalmente integrado à natureza. Confira o CAPÍTULO 1 para entender tudo desde o começo.

Uma das descobertas mais surpreendentes da reforma foi o volume que fica abaixo do nível da rua. Como se fosse uma “casa dentro da casa”, essa área estava dividida em cômodos apertados e mal planejados, feitos no improviso. A solução de Rodrigo foi quebrar todas as paredes internas do andar para criar uma grande sala de convivência, com direito a lareira e um canto de brincadeiras para os dois filhos da moradora e seu enteado, que os visita com frequência. Voltado para o jardim dos fundos, o espaço ganhou portas de vidro de ponta a ponta, o que o transformou em uma espécie de mirante particular.

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Pintada de azul, a parede curva que esconde o lavabo e um pequeno depósito é um dos toques pessoais do arquiteto, assim como o teto amarelo, reforçado com vigas de ferro. O piso que mistura diversos tons de madeira e as prateleiras de concreto em balanço também são intervenções bem-vindas, pois trazem personalidade ao ambiente. Não à toa, esses são alguns dos detalhes preferidos de Mercedes.

Com o tempo a estante foi povoada de objetos curiosos ou de valor afetivo, então cada trecho conta uma história diferente. Tem a da moldura com uma folha que supostamente caiu da árvore em que Buda se iluminou; tem as das peças de artesanato, trazidas de lugares distantes ou nem tanto; tem a da coleção de discos, um dos tesouros da casa; tem a do azulejo desenhado pelo estilista Ronaldo Fraga e tantas outras mais. Fora as histórias encapsuladas nas dezenas de livros sobre arte, cultura, fotografia, música, moda…

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No andar de cima, acessado através de um corredor com paredes e portas amarelas, o quarto do casal não economiza nas cores. Aproveitando a reforma, Mercedes pediu ao arquiteto Rodrigo que ampliasse o cômodo e projetasse um novo banheiro – seu desejo não só foi atendido como, além dos metros a mais, ela ainda ganhou uma varanda na altura da copa das árvores. “Adoro acordar, dar de cara com o abacateiro do vizinho e escutar a algazarra das maritacas que moram nele. É o verde entrando pela casa sem precisar de convite.”

Como em todos os ambientes, nesse também não poderiam faltar fotografias importantes de amigos. O banco que serve de criado-mudo apoia a imagem eternizada por Fernanda Tricoli em uma viagem que ela e a jornalista fizeram juntas para Buenos Aires – a bexiga presa em um galho de árvore as remete ao céu especialmente azul daquele dia. Perto da varandinha, a moldura com uma menina de braços abertos à contraluz é de Ivana Debertolis, de Londrina. Sobre a cômoda pintada de vermelho, o retrato em preto e branco mostra o mar.

Espaçoso e com três cantinhos estratégicos, o dormitório compartilhado por Benjamin, Martin e Tom, filho do primeiro casamento de Fernando, acomoda todas as brincadeiras e peripécias do trio com conforto. Cada um deles tem uma parede para chamar de sua e para transformar em galeria, com muitos desenhos colados e imagens de seus personagens favoritos – afinal, se os pais podem viver cercados de arte, os meninos também! No fim das contas as aventuras extrapolam os limites do quarto, é claro, porém é ali que eles têm mais aconchego.

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É verdade que essa casa é linda e única, mas para Mercedes o conceito de lar independe do endereço. “Não importa onde, mas algumas coisas são essenciais pra mim: cor, cheiro bom vindo da cozinha, muitas plantas e flores, livros espalhados por aí, barulho de criança brincando e papeando, música, almoços de última hora com os amigos, família reunida, cachorros e vizinhos se reconhecendo nas ruas.”, resume. Era apenas isso o que ela queria, e foi tudo isso que conseguiu.

fim-final

Fotos por Alessandro Guimarães

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  1. Uma casa cheia de cor e história. Lindaaaaa!

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Histórias

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