Concreto e relíquias

Uma cozinha acolhedora criada pela designer de interiores Erika Karpuk

A designer de interiores Erika Karpuk acredita na popularização do design e na força do ‘faça você mesmo’, por isso não é de se estranhar que ela tenha conquistado uma legião de fãs com seus projetos acessíveis, sustentáveis e repletos de detalhes escolhidos com carinho. No entanto, o que muita gente talvez não saiba é que além do talento para a decoração Erika também se aventura na cozinha preparando receitas exóticas ou resgatadas de sua memória, como pratos tailandeses, massas italianas ou aperitivos aprendidos com sua avó russa – aliás, é isso o que ela vai ensinar hoje aqui no blog.

Como não poderia deixar de ser, esse ambiente ganhou atenção especial quando a designer se mudou para um novo, ou melhor, um antigo apartamento. O imóvel em Santo André pertence à família de Marcelo, seu marido, há mais de 20 anos, porém ficou um tempinho parado até que o casal decidiu assumir a transformação dos espaços. Extremamente importante na rotina de Erika, que adora receber os amigos e parentes em volta do fogão, o cômodo foi o primeiro a sofrer alterações: “Minha cozinha é o meu tesouro! É onde gostamos de reunir pessoas queridas, é onde meus filhos andam de bicicleta e fazem desenhos lindos na tinta de lousa, é onde cultivo minhas ervas, é onde guardo lembranças de infância…”.

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Antes de tudo, a parede que isolava a sala de almoço original veio abaixo, duplicando a área total do espaço, agora com 30 m². Guiada pelo conceito de ‘obra limpa’, em que o entulho gerado é minimizado ou reaproveitado de alguma maneira, a reforma consciente de Erika previu ainda a atualização das instalações elétricas e hidráulicas, assim como o deslocamento do ponto de gás para a bancada central, criada posteriormente. Muito além da estética, as escolhas da moradora foram pautadas pelo trio: custo + impacto ambiental + estilo pessoal, portanto tudo o que pôde ser reutilizado, foi.

Do antigo endereço vieram o lustre e a bancada de aço inox e do layout anterior do apê ficou o armário que serve como louceiro. Antes revestido de papel de parede com textura de palha, o móvel ganhou vida nova com algumas camadas de tinta rosa aplicadas pela designer. Ao invés de remover os azulejos e lotar caçambas e mais caçambas de lixo, ela teve a ideia de cobri-los com uma massa caseira que esconde por completo as linhas do rejunte – o passo a passo dessa mistura inclusive foi publicado em seu canal no Youtube. Já o concreto dos nichos e prateleiras foi eleito com base no orçamento do casal, pois seu uso teve um custo 70% menor do que a marcenaria tradicional teria.

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Com o cômodo reestruturado, Erika pôde preencher cada cantinho dele com peças de design que despertam seu olhar, plantas aromáticas e relíquias familiares: “A cozinha tem muitas referências de minha avó, que era chamada carinhosamente de baba, como a maioria das vovós russas. Aqui tenho objetos utilizados por ela durante décadas e até mais velhos do que eu, mas que agora viraram herança, como panelas velhas, porcelanas, uma fruteira de 40 anos, raladores feitos à mão, um quadro amarelado que eu adorava quando criança… Tudo muito simples, porém com valor emocional inestimável.”, revela.

Além dos objetos, o tempero da avó também teve um papel muito importante na infância da moradora e hoje em dia ela procura reproduzir as delícias que experimentava na época para seus dois filhos, Lorenzo e Olivia, ambos com quatro anos. O Pirozhki, um pãozinho recheado com carne e amoras colhidas no quintal; a Borshch, sopa tradicional de beterraba; e o Vareniki, que é uma espécie de pastel de batata cozido, são boas lembranças daqueles tempos. “As conservas de pepino azedo e de outros ingredientes estavam sempre presentes na casa da baba. Ela contava que na Rússia essas receitas eram feitas para que não faltasse alimento nos meses de inverno!”.

As conservas, batizadas de Zakuska, são consumidas como aperitivo para acompanharem a famosa vodka russa, porém aqui no Brasil a bebida pode facilmente ser substituída por uma boa e velha cervejinha. Confira as etapas de preparo após as fotos e bom apetite!

Ah, se você quiser saber mais detalhes sobre a decoração da cozinha da Erika e acompanhar os vídeos que ela publica mostrando o passo a passo de grande parte das ideias, é só acessar o seu canal, o EkTube.

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Zakuska | Conserva de pepino

Ingredientes:

• Aproximadamente 1kg de pepinos do tipo japonês (ou o suficiente para encher um pote de vidro)
• 3 dentes de alho
• Sementes de mostarda
• Endro fresco, mas pode ser orégano também
• Folhas de louro
• Sal ou sal grosso
• Pimenta
• ½ litro de vinagre (branco ou tinto)

Preparo:

Lavar os pepinos deixando a casca, porém é preciso cortar as pontas. Acomode-os em um vidro bem esterilizado de forma que vá encaixando entre eles os dentes de alho descascados e os outros temperos. Coloque 1 litro e meio de água para ferver com 1 colher de sopa (bem cheia) de sal + 1/2 litro de vinagre branco ou tinto + 3 folhas de louro. Deixe ferver, desligue o fogo e deixe amornar. Encha o vidro com a água, feche-o e armazene a conserva em algum lugar fresco ou na geladeira.

Observação: O endro tem um sabor muito característico, porém não é tão fácil encontrar, por isso o ideal é comprar e mantê-lo congelado no freezer para situações como essa. Já o orégano transfere para o pepino um sabor mais marcante, mas ambos são interessantes.

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Fotos por Isadora Fabian

Deixe seu comentário 5 Comentários

  1. Gente, o que é esse armário pintado de rosa? Fez toda a diferença na decoração, amei. 🙂

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  2. Sou fã da Erika acompanho o trabalho dela a algum tempo a cozinha ficou belíssima

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  3. Eu amo essa cozinha loucamente. Adorei a receitinha. :*

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  4. Tem a segunda parte dessa casa? Não consigo achar a continuação.

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    • Oi ihadabrain, tudo bom?
      Na verdade nessa casa mostramos apenas a cozinha mesmo. Todo mês fazemos uma matéria com receita, aí entra somente esse pedaço da casa. De qualquer forma, o apê da Erika ainda está em reforma, portanto não está tudo pronto. 🙂
      Mas talvez pelo site dela você consiga espiar mais.
      Beijos

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