Espaços autênticos | Capítulo 2

Um apartamento que ganhou novos ares após a reforma

O predinho da década de 1960 a poucos quarteirões da Av. Paulista conquistou a arquiteta Andrea Miranda muitos anos antes de ela se mudar para o endereço. Apesar de adorar certos elementos originais da construção, como a laje nervurada de concreto e as janelas da sala que vão quase até o piso, a moradora decidiu repaginar por completo os acabamentos e redistribuir a posição dos ambientes na planta. O resultado da reforma é um apê moderno e urbano pontuado por diversos detalhes que traduzem a essência de Andrea. Caso tenha perdido o começo dessa história, é só ler também o Capítulo 1.

De acordo com o antigo layout o centro do apê era ocupado pelo dormitório e pelo banheiro de serviço, porém a arquiteta transformou esses dois cômodos em um home office e um lavabo para receber as visitas. Sem portas tanto na entrada quanto nos armários, o escritório comprova o desejo de Andrea de viver sem barreiras: “A ideia de deixar que os espaços tenham essa integração é para que eu não me sinta fechada em cada ambiente e possa ocupar os lugares como um todo. Poder transitar entre um ponto e outro sem ter que abrir e fechar portas me traz uma sensação maior de liberdade dentro do meu espaço.”, ela explica.

Se tem uma coisa que Andrea não gosta é de ficar parada. Além de tocar seus projetos de arquitetura, ela está desenvolvendo outros dois trabalhos em paralelo: uma linha de móveis e objetos feitos de concreto, material que é sua grande paixão desde os tempos da faculdade, e um estudo sobre o restauro e a ocupação de lugares abandonados. “Em 2014 resolvi dar uma pausa na rotina maluca de obra, então larguei trabalho, casa e família. Passei quase um ano na Europa estudando e pesquisando informações que pudessem agregar algo à minha profissão. Em Berlim redescobri esse amor por espaços perdidos no tempo. A sensação é de que o tempo, somente naquele local, parou totalmente e está ali aguardando uma nova história.”.

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A ligação entre a sala, o escritório e o quarto acontece pelo corredor com parede de concreto e luminárias de estilo industrial boladas pela moradora. Essa área é também o hall de entrada do apê, portanto acomoda a bicicleta e ganchos para bolsas, além de quadros divertidos. O principal destaque desse trecho é o painel com azulejos pretos assinados pelo artista plástico Alexandre Mancini, amigo de Andrea há tempos. Para fugir de uma paginação convencional, ela instalou as peças sem muita ordem, compondo um desenho único.

Uma grande cama e pouca luz eram tudo o que a arquiteta queria para seu quarto, pensado como um lugar para se aconchegar. A estrutura em que o colchão fica apoiado foi projetada pela moradora e se estende nas laterais para formar dois criados-mudos simples e práticos – de laca cinza, o móvel parece se fundir à parede de cabeceira no mesmo tom. Como complemento entram em cena as luminárias improvisadas com ganchos para pendurar bolsas e duas cúpulas daquelas usadas em oficinas mecânicas.

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O apartamento de Andrea funciona como seu laboratório em vários aspectos. Nas paredes e nos móveis de concreto, nas luminárias que ela mesmo cria e instala, nas diferentes composições de quadros, nas novas fases de sua vida… Sem medo de se reinventar sempre que preciso, a moradora assume: “Minha casa é um projeto que nunca termina. Eu quero mudar sempre.”.

fim-final

Fotos por Luiza Florenzano

Deixe seu comentário 4 Comentários

  1. Um dos meus prediletos já publicados! Cada canto tem uma coisa interessante que eu fiquei desejando 😉

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  2. Parabéns!!! Amei o ap, super criativo

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  3. Essa casa é o meu sonho de consumo! Parabéns, lindíssima!

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Histórias

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