Patchwork de memórias | Capítulo 1

Surpresas sem fim em um apartamento com muita personalidade

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Em algum lugar do passado, as árvores genealógicas da escritora Roberta Ferraz e do advogado e escritor Marcelo Ferreira de Oliveira se cruzam. Seus pais são primos de segundo grau, portanto eles também possuem familiares em comum, como o trisavô Francisco, cujo retrato decora uma das paredes do apartamento em que vivem. O casal se conheceu na adolescência, quando Roberta tinha treze anos e Marcelo dezesseis, porém o namoro-casamento só engatou depois de muito tempo e alguns encontros e desencontros. Onze anos se passaram desde então, mas as memórias de toda essa história continuam vivas em cada trecho do apê.

Na pressa de dividir o mesmo teto, o casal passou um tempo no antigo apartamento de Marcelo, que pertencia à sua avó. Nessa época as coisas de Roberta se espalhavam por três endereços diferentes, incluindo a casa de seus pais no interior – o que não era nada prático para quem estava começando um mestrado. Em busca de mais espaço e mais conforto, os dois decidiram investir em um imóvel só deles. “De alguma maneira, nosso apê é nossa primeira casa. Quisemos pensar juntos a ocupação desse lugar, e embora tenhamos trazido algumas coisas de nossas famílias em um primeiro momento, o gostoso foi ver a casa tomar um ar mais nosso”, ela conta.

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O apartamento amplo em um prédio dos anos 50 não precisou de muito para cativar o casal. Além do pé-direito alto e dos espaços generosos, o imóvel tem uma particularidade que lhe chamou a atenção: sua planta é o resultado da junção de dois apês vizinhos, portanto alguns cômodos eram duplicados. Para encontrar as melhores soluções para cada ambiente, Roberta e Marcelo recorreram a um grande amigo, o arquiteto Fernando Falcon, sócio de Rodrigo Cerviño Lopez no escritório Tacoa Arquitetos. A reforma durou cerca de sete meses e revolucionou a atmosfera do lugar, trazendo luz, amplitude e personalidade.

“O apê cresceu, apareceu, se mostrou, se deixou ver. Antes ele era um arremedo de quartos, salas e cômodos esquisitos, meio jogados ali por acaso. Agora vemos o desenho, a estrutura, a planta e a vida daquele espaço. A sala inteira aberta e o eixo do corredor que liga a casa toda conferem elegância, prumo. Era outro apartamento, tanto que eu nem me lembro direito dele antes. Ele estava escondido”, a moradora diz.

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Roberta passou boa parte de sua infância na fazenda da família em Jardinópolis, por isso as memórias daqueles tempos ficaram enraizadas dentro de si. Como uma forma de resgatar essas lembranças, a escritora fez questão do cimento queimado colorido, presente em todo o apartamento. “Eu sabia intuitivamente, pelo desejo, do piso vermelho. Já as pastilhas verdes nas vigas e colunas foram a cereja do bolo, pois me devolveram a origem dessa experiência: o piso da casa da fazenda era quase todo de lajotas artesanais vermelhas e a hera cobria suas paredes por fora”, ela lembra. O vermelho e o verde a transportam de volta para lá.

O jardim interno que ocupa parte da sala também é, de certa forma, uma herança dessa época. “A liberdade de uma natureza ilimitada ficou em mim e é onde eu sempre quis habitar. Marcelo tem também um vínculo forte com a terra, a paisagem interiorana, embora sempre tenha vivido em São Paulo”. O impulso de preencher o espaço com plantas foi alimentado pela pesquisa da moradora sobre a obra de Teixeira de Pascoaes, em que o reino vegetal é bastante presente, e pelas viagens ao sítio de sua sogra em Jaguariúna. “Eu queria uma ajuda de alguém sensível, porque me sentia muito inexperiente para mexer com algo tão delicado, então o Fernando comentou sobre a Dani Ruiz, paisagista. Eu amei a Dani e ela sacou muito a alma desse desejo vegetal. Ela deixou espaço aberto para que eu fosse complementando o jardim conforme ele crescesse na casa e em nós, eu e Marcelo”, completa Roberta.

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A arquitetura, tema que Marcelo tanto adora, não chega a definir o apartamento – ela funciona mais como pano de fundo para as referências do casal, meio misturadas, acumuladas, sem lugar marcado, como a vida conduziu. Se precisasse resumir seu lar, Roberta diria que é uma casa viva, sem frescura, festiva e mágica. E Marcelo assina embaixo: “Desde que nos mudamos, ainda sinto prazer e surpresa em observar os diferentes ângulos de visão”, ele diz.

Para conhecer mais detalhes desse apê, fique de olho no Capítulo 2. É só clicar abaixo:

Continua-final

Fotos por Alessandro Guimarães

Deixe seu comentário 6 Comentários

  1. Boa tarde meninas!
    Que casa linda, solar! Com cara de ser bem fresquinha. Plantas sempre trazem vida ao ambiente. E esse piso vermelho! Lembra a infância, casa de vó.
    Não tem como não acordar feliz em um lar assim. E as segundas são sempre inspiradoras com essas postagens.
    bjs 🙂

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    • Oi Gisele, tudo bom?
      Realmente o piso vermelho dá um clima de casa de vó (por isso faz a moradora lembrar da fazenda em que cresceu). Linda a história e a relação dos moradores com a casa né?
      Beijos e obrigada por acompanhar cada nova história!

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  2. Nossa que decor maravilhosa, tem um tempo vcs mostraram no stories do instagram um apê com prateleiras de caixote, queria saber se ele já entrou no site?
    Beijos

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  3. Amo o site de vocês!!! Estou me mudando e anotando várias dicas,espero que meu cantinho fica lindo!! 🙂

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    • Oi Raissa! Tudo bem?
      Ficamos super felizes com o seu comentário sabia? Um orgulho servir como fonte de inspiração. 🙂
      Com certeza seu lar ficará lindo!!!!

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Histórias

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