Quando vidas se juntam | Capítulo 1

Um apê que reúne referências inspiradoras garimpadas ao longo dos anos

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Na primeira vez que a arquiteta Maraí Valente visitou o apartamento de Luciano Calçolari, hoje seu marido, ela se surpreendeu com o projeto. “Foi uma coincidência legal. Esse projeto é da arquiteta Tania Eustáquio, porém anos antes, quando trabalhei com o Arthur Casas, fizemos a reforma de um imóvel neste mesmo prédio e o resultado ficou bem parecido, com ambientes integrados e um móvel linear contornando toda a sala”, ela diz. Depois que essa sensação de déjà vu passou, Maraí começou a prestar atenção na decoração do apê, e aí veio outro baque: apesar da arquitetura interessante, o espaço parecia muito vazio e um pouco sem vida, como se lhe faltasse o ‘recheio’. E não é que faltava mesmo?

“Antes esse era o apartamento de um homem solteiro, com tudo aberto, quase nada de móveis ou objetos de decoração. Depois eu casei com o Lu e viemos todos morar aqui – eu, minha filha Nina, o cachorro, o passarinho, os quadros, os livros, as plantas…”, Maraí lembra. Em pouco tempo, o lugar parecia outro. A arquiteta também fez algumas adaptações no projeto original, mas antes quis ligar para Tania (que aliás, foi um dos cupidos do casal) para checar se ela estava de acordo. “Aumentei algumas portas e gavetas no móvel da sala. Com tantos cacarecos que trouxe comigo, nem tudo poderia ficar à mostra”, a moradora brinca.

Maraí mudou a disposição das coisas na planta integrada para aproveitar ao máximo esse grande espaço. A sala, que antes tinha apenas um sofá e ares bem minimalistas, agora tem móveis de sobra para acomodar muitos amigos. Na área onde ficava o antigo escritório ela criou uma saleta de TV aconchegante para as crianças – e então o home office migrou para um dos pontos mais privilegiados do ambiente: o canto em L perto das janelas. “Queria estar com a melhor vista para poder acompanhar tudo o que acontece à minha volta”, ela fala. No quarto do casal, que pode ficar totalmente aberto se eles quiserem, Maraí desenhou um armário que mais parece um painel, com portas camufladas e desenho neutro.

Ter uma sala quase sem paredes, inclusive ao redor do ofurô, permite que a família esteja sempre próxima, mesmo que cada um esteja fazendo algo diferente no seu canto. “Na hora de dormir, fechamos as portas do quarto e não deixo uma luzinha acesa. Porém durante o dia gosto de tudo aberto, então a primeira coisa que faço ao acordar é sair pela casa abrindo as portas e janelas para o sol entrar”, a arquiteta diz. Maraí conta que também adora receber pessoas e por isso toda semana rola algum encontrinho com os amigos.

Além da arquitetura, Maraí descobriu uma nova paixão: recentemente ela criou a Pelle, uma marca de tapetes com tingimento manual feitos a partir de couros descartados pela indústria calçadista e moveleira. “Agora tenho outro ritmo. Sempre fui meio artista e a arquitetura me deu uma noção de proporção, uso de cores e formas essencial para o trabalho na Pelle”, ela explica. O engraçado é que esse interesse de Maraí por estamparia e tingimento surgiu ainda na infância, na época em que ela observava os talentos de suas avós. Uma delas trabalhava como florista em Ribeirão Preto e costumava tingir flores para noivas e madrinhas, a outra era bordadeira de mão cheia e muito paciente em seu ofício. De certa forma, essa memória ficou enraizada e agora aflora nos tapetes que a arquiteta desenha.

O que antes era um apartamento minimalista e um tanto vazio, agora é um lar cheio de coisas legais e muitas histórias que se encontraram. De um lado tudo o que Luciano já tinha e guardava com carinho, do outro, tudo o que Maraí trouxe de seu antigo endereço. “Assim como ele amou minhas bagunças, também amei as dele, então criei umas caixinhas para guardar a coleção de LPs, organizamos minha tonelada de livros ao longo de todo o móvel da sala e juntamos os quadros (os dele e os meus) escolhendo cada parede onde deveriam ficar”. Definitivamente um encontro feliz – na vida e na casa. * Deu vontade de conhecer o restante do apê? Amanhã tem mais fotos no Capítulo 2. Fique de olho!

Onde encontrar

PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

Fotos por Luiza Florenzano

Deixe seu comentário 8 Comentários

  1. Incrível esse apartamento (:
    Sabem me dizer o nome das plantas pendentes das fotos 8 e 9?

    Abraço!

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    • Oi Yasmin, tudo bom?
      Que legal que você curtiu o apê, é realmente muito lindo, né? Se não me engano, as plantinhas são da família das Rhipsalis. Essa com as folhas bem alongadas também é conhecida como cacto-macarrão. Beijos

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  2. Ola meninas, como vcs estão? Não canso de elogiar o trabalho de vcs, é um trabalho artistico, manual, único, acompanho outros blogs similares, este é DISPARADO o melhor, atá a qualidade da foto é muito boa. Mais um apartamento lindo, gostoso, imperfeito (se fosse perfeito seria chato, casa com cara de estudio é muito impessoal). Parabéns, é surpreendente, uma casa ou apartamento mais lindo que outro. Quando vejo as fotos e leio a matéria que vcs apresentam, sempre termino a leitura com uma sensação de paz , prazer e satisfação. Parabéns e obrigada. Maria Selma

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    • Oiii, tudo bom???
      Ah, você sempre sabe como fazer o nosso dia ficar MUITO mais feliz!!! Para nós é um orgulho ter uma leitora tão querida, que nos acompanha e incentiva sempre. Desde que começamos o blog, estamos sempre buscando melhorar e construir algo que seja diferente, então que bom que você reparou!!! Realmente ficamos mega contentes com esse seu feedback. Obrigada pelo carinho e um beijão!!! Bruna

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  3. Obrigada meninas. P.S. tenho uma filha linda e querida que se chama Bruna. bjs

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  4. gente, onde encontro esse coração BAPHONICO? ❤

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Histórias

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