Viver entre amigos | Capítulo 2

A história de um apartamento compartilhado por 4 arquitetos

Quando um imóvel é alugado e não há possibilidade de reformas, o que resta é assumir os detalhes originais e tentar trazer personalidade aos espaços usando a decoração. Foi exatamente isso o que os moradores desse apartamento fizeram. Os arquitetos Beatriz, Cadu, Guido e Hannah uniram forças, ideias e inspirações para mudar a cara do lugar sem precisar quebrar nada. O segredo foi apostar em peças cheias de história e misturas inusitadas. Multiplicado por quatro, o acervo de objetos e quadros bacanas contribuiu, e muito, para esse clima de ‘casa vivida’.

Em uma casa convencional, a cozinha poderia ser vista apenas como um espaço funcional, mas os moradores não queriam que ela parasse por aí. “Quando você traz para a cozinha objetos que demonstram subjetividade ao invés de funcionalidade, se cria uma surpresa que nos interessa, desconstruindo esse tipo de ambiente de assepsia”, eles falam. A copa também é um lugar importante do apê, onde todos compartilham refeições e intimidades, então ela realmente merecia um carinho especial.

Como os arquitetos possuem uma infinidade de coisas espalhadas pela casa, eles preferiram manter as paredes brancas para trazer um respiro, mas nem por isso a decoração deixa de ser colorida. Um sofá vermelho, cadeiras pintadas, quadros, tecidos e muitas plantas se encarregam de dar vida ao apartamento. “As plantas trazem sinais da serra que surge na vista do horizonte. Moramos no centro da cidade, em um prédio alto, o verde que mexe com o vento é fundamental para manter a calma em oposição ao asfalto quente e monocromático”, dizem.

Em um apartamento compartilhado entre quatro pessoas, o quarto acaba virando o microcosmo de cada um. Todos possuem detalhes únicos, que dizem muito sobre quem os habita. Bia, por exemplo, criou uma cabeceira improvisada de palha e preencheu a parede atrás da cama com obras queridas. Cadu transformou um skate em criado-mudo e sua mesa de leitura exibe pilhas e pilhas de livros. Hannah tem um espaço mais minimalista, com toques étnicos no tapete e cestos de fibra. E Guido otimizou ao máximo a área enxuta do antigo dormitório de serviço.

“Os móveis foram feitos por mim para este quarto: achava importante levantar a cama para alcançar a vista da janela e ter uma relação menos claustrofóbica com o armário. O cobertor metalizado na parede tenta aumentar o ambiente e traz uma dimensão espacial para o quarto, contrastando com a rusticidade da madeira usada em tapumes na construção civil. O resto são objetos afetivos que trazem calidez perto da cama”, ele explica.

A decoração do apartamento é um grande apanhado de coisas e sentimentos. A maioria dos móveis foi doada por amigos e familiares, e outros foram construídos especificamente para o apê. “Gostamos desses itens antigos porque, assim como os quadros, carregam histórias e carinhos”. Mesmo que cada morador tenha seu jeito de ocupar os espaços e também manias ou costumes distintos, Bia, Cadu, Guido e Hannah vivem em harmonia, apesar das diferenças. Afinal, elas são bem menores do que as semelhanças.

Fotos por Luiza Florenzano

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