Em meio às montanhas | Capítulo 1

Arquitetura e natureza se encontram em São Francisco Xavier

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Ninguém fica indiferente ao mar de montanhas de São Francisco Xavier, no interior de São Paulo. A paisagem com inúmeros tons de verde, muitos vales e picos que desenham o horizonte foi o que fascinou Francisco Fanucci, um dos fundadores da Brasil Arquitetura, quando ele e a esposa Madalena descobriram o local. Isso aconteceu há 20 anos, mas de alguma forma o tempo parece correr mais devagar no silêncio das montanhas, como que suspenso. Idealizada pelo morador nessa época, a casa onde a família se reúne nos finais de semana representa a harmonia perfeita entre arquitetura e natureza.

O engraçado é que tudo aconteceu meio por acaso. A princípio, Francisco e Madalena nem pensavam em construir na região, mas o arquiteto recebeu um convite que plantou essa ideia. Um casal de amigos o chamou para fazer o projeto de sua casa em São Francisco Xavier e como pagamento pelo serviço os ofereceu um pedaço de terra nas proximidades. Ele e a esposa acabaram escolhendo um local que não estava dentro do terreno de seus amigos por engano, porém eles conseguiram chegar em um acordo e no fim o escambo deu certo. O lugar era realmente apaixonante. Não só pela vista para as montanhas, mas também outros detalhes mais sutis, como um córrego de água límpida e fresca que desce saltando de pedra em pedra.

O projeto parecia ter nascido já na primeira visita que fizemos ao terreno. A casa se implanta entre duas paisagens distintas: ao Sul, imensa, livre do sol direto, oferecendo-se à contemplação através de grandes janelas; ao Norte, pequena, como a nos propor interação, passeio, banho de cachoeirinha, uma extensão ajardinada da própria casa”, Francisco explica. A construção é dividida em dois blocos em L – o dos quartos, que fica mais resguardado do vento e procura o sol da manhã; e o da sala, pensado para o convívio, com deck, cozinha integrada e fogão à lenha.

Erguer uma casa em um local mais isolado como esse pode apresentar alguns desafios. Na época, a estrada não era grande coisa. Foi aberta pelos amigos do casal na própria terra, nas encostas do terreno acidentado, então a chegada dos materiais era um tanto complicada. Mas na verdade o maior problema foi a descoberta de uma gigantesca rocha justamente no pequeno platô onde a construção ficaria. “O jovem e abusado tratorista nos propôs uma solução: cavar um buraco ao lado da pedra e tombá-la, com o auxílio do trator. Assim fizemos, reacomodando-a no mesmo lugar em que estava, porém em posição horizontal para que ficasse sob a casa”, o arquiteto lembra.

Na decoração, Francisco e Madalena priorizaram o simples, como as coisas são e devem continuar sendo por lá. Alguns móveis foram reaproveitados, enquanto outros surgiram em função das necessidades que eles tinham. Tanto na parte arquitetônica – como a estrutura de madeira do telhado ou os decks e caixilhos – quanto no mobiliário, o casal apostou na madeira e no trabalho impecável da Marcenaria Baraúna, da qual Francisco é um dos fundadores. Muitas são as memórias e histórias das peças que os moradores foram acumulando ao longo do tempo, mas o arquiteto tem um carinho especial pelo par de poltroninhas com estofamento azul na sala. Como ele conta:

“Certo dia, na época da construção da casa, fui visitar um cliente que desejava reformar. Em um terreno vazio ao lado, entre lixo, mato e despojos abandonados, vi as duas poltroninhas meio cafonas, revestidas de tecidos rotos e sujos, jogadas na montanha de entulhos. Curioso, pulei o muro para vê-las de perto e notei que tinham uma articulação, umas dobradiças com mola, entre o assento/encosto e sua base. Limpei uma delas mais ou menos e me sentei, como vício de ofício… e era confortável! Levei as duas para a marcenaria e pedi para os meninos tirarem o tecido e rasparem a tinta branca que as recobria. Surpresa: ela era linda ‘nua’, seus braços e pernas eram de Imbuia maciça, seu corpo acolchoado se balançava nas molas quando a gente se sentava, me apaixonei… são minhas poltronas preferidas na sala da casa”.

Vinte anos de casa é tempo suficiente para que os espaços passem por muitas transformações. A natureza vai tomando conta do entorno ainda mais, as madeiras adquirem marcas de uso, as estantes ficam mais cheias e a cozinha ganha novos temperos. “Penso que todas as casas vão se parecendo, ao longo de suas vidas, com seus moradores. E vice-versa. Assim, com essa casinha também. Objetos, livros, quadros, tocos de madeira ou cipós colhidos nas caminhadas da redondeza, passarinhos atraídos pela quirera que deixamos ao redor, árvores e arbustos que vamos plantando, assim sem muito planejamento, vão crescendo… a casa vai lentamente envelhecendo, assim como nós mesmos, juntos, e tomando novas formas”, Francisco diz. * Gostou do passeio e quer ver mais? Então fique ligado no Capítulo 2 também!

Fotos por Luiza Florenzano

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COMENTÁRIOS # 6

  1. Olá meninas, tudo bem? QUE LINDEZA, QUE MARAVILHA, a casa e o entorno são de tirar o folego. Obrigada por dar comida aos meus olhos. Beijos meninas

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    • Oi de novo! Tudo bom?
      Essa casa tem uma energia muito especial mesmo. Ficamos felizes em conhecer os detalhes dessa história, porque afinal são 20 anos de casa!
      Que legal que também gostou!! Beijos

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  2. Incrível essa casa! Por acaso eles não a alugam de vez em quando no AirBnb?! Já pensou se hospedar um lugar tão lindo assim?!

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    • Oi Tammy, tudo bom?
      Se não me engano alugam sim. Vale pesquisar nas opções em São Francisco Xavier.
      Beijos

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  3. Meu Deussssssssssssssss, que lugar lindo de viver, um sonho, viajei agora por dentro de toda a casa, minha imaginação trabalhou bastante, mas como não poderia ser diferente, vocês do Histórias de Casa sempre, sempre surpreendendo, vocês são demaisssssssssssssssssss.

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    • Hahahaha, que amor Vania!!!
      Ficamos felizes que tenha se identificado tanto com a casa. Foi um prazer conhecer esse espaço e essa história, realmente especiais. 🙂

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