Arquitetura incrível e aconchego no interior

Essa casa de campo traz soluções que aproveitam ao máximo o terreno

Foi meio por acaso que o psicólogo e professor Seiji e a psicóloga Lia adquiriram um espaço para chamar de seu em São Francisco Xavier, no interior de São Paulo, há mais de 15 anos. Nesse período, o terreno pertencia a um amigo do casal e tinha apenas um pequeno chalé de madeira, mas de muitas maneiras esse cenário bucólico e acolhedor os conquistou. “Esse amigo queria vender para algum conhecido também, então foi uma oportunidade que surgiu. Acho que tinha uma coisa de apreço pelo local e de não se desconectar completamente”, eles lembram. De fato, é difícil deixar para trás um lugar como esse, porém ele estava em boas mãos.

A antiga construção que havia ali era bem compacta: um chalé com banheiro e cozinha na parte inferior e apenas uma cama no mezanino, então Seiji e Lia logo sentiram a necessidade de erguer uma nova casa para poder receber mais gente, levar amigos e viajar com a família completa. O único problema é que o terreno parecia pequeno para algo de grandes proporções e eles não queriam abrir mão da área externa descoberta, onde adoram ficar. Por isso, o plano de construir foi adiado durante anos, até que um dia a filha do casal, Gabriela, e seu namorado, Denis, na época recém-formados em Arquitetura, decidiram abraçar o projeto com todo o entusiasmo de quem está ansioso para testar novas ideias.

“É uma coisa engraçada, porque como os arquitetos projetaram a casa mais sobre a montanha do que sobre o patamar, temos mais área livre e plana agora do que antes. Depois da construção tivemos a sensação de que o terreno ficou maior e o jardim mais espaçoso”, os moradores falam.

O projeto de Gabriela e Denis partiu das necessidades dos moradores, como por exemplo o número de quartos que gostariam de ter e as funções que a casa deveria acomodar, sem comprometer a integração com a paisagem. Em uma proposta ousada, a dupla decidiu tirar proveito da declividade acentuada do terreno, ao invés de lutar contra ela, mantendo assim uma área de lazer ampla ao ar livre. “Essa foi a primeira obra que realizamos integralmente. Sabíamos que era uma grande chance de testar ideias e conceitos que fermentavam em nossas cabeças, mas não cabiam no tipo de trabalho que tínhamos até então”, os arquitetos explicam.

Para muitos, idealizar uma casa em um cenário tão encantador seria uma sorte grande, mas Gabriela e Denis brincam que isso foi mais intimidador do que estimulante no começo. “É muito fácil se seduzir com o desenho, descambar em uma obra ensimesmada e destruir o lugar. Encaramos o projeto como um jeito de estruturar aquele terreno. A casa é uma parte disso, mas não é o centro”, dizem. A ideia era transformar a construção em um componente da paisagem, ao invés de disputar com ela. Não por acaso, o projeto recebeu alguns prêmios da área, como o Ebramem/WWF de arquitetura em madeira e o Prêmio TomieOhtake/Akzonobel de arquitetura.

A decoração é despretensiosa, como pedem as casas de campo, mas sem imitar a cultura local. O mobiliário moderno brasileiro, com seu ar despojado, serviu de inspiração, inclusive em alguns detalhes da arquitetura, como o guarda-corpo de madeira nascido de uma leitura das cadeiras Pelicano, de Michel Arnoult. Outras peças com uma história interessante são as cadeiras Thonet da mesa de jantar: “Foram compradas em um antiquário de beira de estrada e estavam muito detonadas, mas ainda traziam os selos da fábrica original da Thonet austríaca. São bem antigas e quando adquirimos já haviam sido reformadas algumas vezes. Não dava mais para deixar a madeira aparente, então as pintamos nós mesmos. Cada uma tem uma peculiaridade, nenhuma das seis é igual a outra. Achamos isso divertido, lembra a casa dos ursos daquela história infantil”, contam.

Assim como Seiji e Lia sonharam durante tanto tempo, a casa hoje favorece o convívio entre a família e os amigos. Os quartos trazem portas de correr que permitem uma integração total, os painéis de vidro deixam a paisagem sempre ao alcance da vista e os espaços têm a medida ideal – nem mais, nem menos. “Aqui nos sentimos muito ligados ao chão. Se chove, você sente o cheiro de grama molhada na hora. Achamos essa proximidade muito gostosa. Nossa relação com a natureza é de lazer e contemplação. Somos pessoas urbanas e por isso mesmo adoramos vir a São Francisco Xavier, travar esse tipo de contato como contraponto ao dia a dia da cidade”.

Fotos por Luiza Florenzano

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COMENTÁRIOS # 2

  1. Que projeto maravilhoso! Já vim namorar essa matéria algumas vezes durante a semana. Um sonho de casa, acho que a minha preferida daqui. Parabéns, queridas! O trabalho de vocês é impecável. Sou completamente apaixonada por esse site.

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    • Oi Rubia, tudo bom?
      Essa casa é muito interessante. Adoramos a experiência de visitar e registrar um espaço tão bacana. E a paisagem valoriza o projeto mais ainda, é claro. Obrigada por acompanhar e pelo grande carinho. Beijos!!!

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