Um lar feito de afeto e memórias

Nesse apartamento, todas as peças têm uma conexão afetiva com a moradora

Tudo o que habita o lar das amigas Laura e Natália tem uma história bacana por trás ou uma relação de afeto com as moradoras. A começar pelo próprio apartamento, um legado de família há muitas gerações. “Esse apê foi adquirido pelo meu bisavô, que vivia aqui perto na rua Itacolomi. Ele precisava de um local para seu escritório, biblioteca e lugar de pesquisa. Fico feliz que hoje em dia não apenas livros ocupem este espaço”, Laura diz. Na verdade, os últimos anos até que foram bastante movimentados no endereço: desde 2008, a designer e ilustradora já morou com seu irmão, depois com namoradxs e agora compartilha a casa com Natália.

O apartamento ficou muito tempo alugado e sem nenhum reparo, então Laura percebeu que precisaria realizar consertos e uma adequação mínima antes de se mudar. Não houve uma reforma propriamente dita: foram feitos alguns ajustes iniciais, como o piso de cimento queimado, mas o restante das melhorias foi realizado aos poucos, com o passar dos anos, quando ela já estava morando no apê. A obra de verdade só aconteceu tempos depois, quando Laura juntou uma verba para renovar o banheiro e a cozinha, que estavam com os revestimentos muito deteriorados.

Por indicação de uma ex-namorada que havia vivido no apê e também tinha um carinho especial pelo espaço, a moradora conheceu o trabalho do Sabiá Arquitetos e logo se identificou. “Eles me ajudaram a compreender melhor espacialmente o que eu vinha pensando e, sugerindo as alterações, apresentaram um projeto lindo e bem detalhado. A reforma compreendeu toda a área molhada do apartamento”, Laura explica. O banheiro antigo foi dividido em 2 para criar uma suíte, a cozinha foi ampliada com a utilização de parte da área de serviço e a marcenaria também foi bolada pelos arquitetos da forma mais funcional possível.

“Não cheguei a idealizar uma decoração. Eu fui escolhendo, acomodando minhas coisas conforme achava que fazia mais sentido, encontrando lugar para cada peça habitar… eu gostaria que a casa pudesse servir de acolhida para quem morasse e seus convidados e que os espaços fossem bem utilizados. Talvez aconchegante seja a palavra que melhor definiria”, a moradora diz. Sem dúvidas, a presença das plantas como coabitantes e dos móveis queridos contribui muito para essa sensação.

A lista de itens especiais é grande, das cadeiras vermelhas da cozinha compradas em um momento muito feliz aos quadros assinados por amigos e parceiros de trabalho. De herança, Laura tem muitas coisas. A mesa de centro que veio de sua tia, uma luminária de pé que é também mesinha de apoio, e até um banquinho dobrável de madeira de sua avó no qual todas as crianças da família prendiam os dedos sem querer: “Traz essa lembrança da infância que adoro”, ela fala. O toca-discos e rádio da marca Telefunken não funciona e Laura o utiliza como aparador, porém a peça tem uma história curiosa, pois foi comprada durante uma festa em uma casa que abrigava feiras tipo família vende-tudo. “Quando o vi, me apaixonei. No dia seguinte, recebi um telefonema para confirmar a entrega. Eu estava de ressaca e nem lembrava de tê-lo comprado, sorte que foi o melhor garimpo de todos!”, brinca.

Entre tantas histórias, tem mais duas que Laura adora: “A da estante de metal que está no quarto da Natália e o carrinho debaixo do tampo da mesa da sala. Foram projetados pelo meu pai, que mandou fazer para mim em um serralheiro quando fui morar com ele na adolescência. Foi uma forma sensível e afetuosa de nos reaproximarmos. Ele os desenhou com base em meu desejo de ter estantes com rodinhas para mudar o quarto sempre que quisesse. E a história da estante da sala, que eu idealizei e minha namorada na época me ajudou a fazer um desenho técnico e estimar a quantidade de madeira. Depois montamos juntas e instalamos. Tenho muita estima por ter sido realizada dessa maneira, pensada e construída em parceria”.

Para Laura, é importante que as peças sirvam a um propósito afetivo, de memória e conexão, para além de seu uso. Ela também acredita muito na co-criação e autoconstrução das coisas: é mais valioso construir algo novo e criar junto uma história do que adquirir um móvel ou objeto que não se sabe como foi feito.

“É curioso, e faz bastante sentido pensando bem, que eu tenha escolhido um espaço que se chama Casa do Povo para habitar com meu projeto de trabalho Edições Aurora e minha prática de projetar e produzir livros e peças gráficas, o Parquinho Gráfico. Nessa casa onde trabalho, existem outros grupos que não apenas usam aquele local, mas o transformam em um lugar de acolhimento e participam de seu funcionamento. Acho que minha vivência na Casa do Povo impacta em minha forma de entender meu apartamento enquanto um espaço que pode ser habitado por outros também e para outros usos”, ela define.

Fotos por Luiza Florenzano

Onde encontrar

Peças Inspiradas Nessa História

Adoramos seus comentários! ❤️ Conte pra gente o que achou:

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.


COMENTÁRIOS # 13

  1. Muito legal o apê! Tem cara de casa de verdade, não “montada”. O armário suspenso da cozinha foi feito de compensado naval? Muito lindo!

    Responder
    • Oi Maíra, tudo bom?
      Curtimos muito esse apto!!! A cozinha parece ser compensado sim, ficou demais né?

      Responder
  2. Dá vontade de chorar de tão lindo que é! <3

    Responder
  3. Qual a cor da parede da sala?
    Ap Lindoooo!

    Responder
    • Infelizmente a moradora não lembra o nome exato da tinta, mas estamos tentando descobrir!
      Beijos!

      Responder
  4. Adorei o apartamento e as fotos! 😀

    Responder
  5. Amo as histórias e está eh mais uma inspiradora

    Responder
  6. Tô aqui querendo saber que cor é essa da parede da sala. Maravilhosa!

    Responder
    • Oi Aline, tudo bom?
      Linda né? A moradora não lembra o nome exato, mas estamos tentando descobrir, rs

      Responder
  7. INSPIRADOR!!!

    FOTOS E HISTÓRIAS.

    Responder
  8. De onde é o sofá?

    Responder

NOS VEMOS NO INSTAGRAM
@historiasdecasa