Onde mora a felicidade | Capítulo 1

A decoração despreocupada e cheia de personalidade da artista Julia Duarte

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Quando a porta do apartamento da Julia Duarte se abre, a recepção costuma ser festiva. É que a Berenice, uma vira-lata elétrica e fotogênica, faz questão de mostrar que a casa também é dela, mas que todos são bem-vindos. Do corredor de entrada que liga todos os espaços, já dá para notar que a arte faz parte do cotidiano, como pão com manteiga ou uma xícara de café. E nem poderia ser diferente: Julia é diretora de criação e a artista por trás do projeto Tristezinha do Bem. Através de desenhos delicados e palavras fortes, ela prova que é possível enxergar um lado bom em tudo, até na tristeza.

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O imóvel em Pinheiros é alugado, mas em nenhum momento isso a inibiu de rabiscar ou pintar as paredes, tampouco de fazer grandes alterações na disposição dos cômodos. Aliás, desde que se mudou há quatro anos e meio, a moradora nunca parou de redistribuir as coisas. Para ela, isso é uma espécie de ritual interno que envolve evolução pessoal e contribui para a limpeza energética. Muitas vezes esse anseio vem de forma repentina, no meio da madrugada, mas Julia se deixa levar e acaba arrastando móveis ou invertendo quadros na calada da noite. Ela até já saiu de pijama na rua às 4 da manhã para procurar um galho seco que gostaria de usar em uma instalação.

“Quando vem essa vontade de modificar tudo, não consigo esperar até o dia seguinte, precisa ser na hora. Porque no fundo sou eu que estou querendo mudar, né? E quando isso bate vem de forma emergencial, não posso correr o risco de acordar no outro dia sendo a mesma Julia”.

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Nem todo mundo acredita em destino, mas talvez ele tenha tido uma participação nessa história. Alguns anos atrás, a artista vivia em outro apê alugado, porém precisou liberá-lo em apenas 10 dias – uma situação, no mínimo, desesperadora. Ela já estava namorando outro imóvel na mesma rua em que mora hoje, só que ao chegar lá descobriu que um colega de trabalho também estava de olho no lugar. Julia se recusou a competir com alguém conhecido e quase desistiu da busca, mas o corretor tinha gostado dela, por isso lhe apresentou uma segunda opção ali perto. “Quando vi o apartamento, não tive dúvidas, era ele”.

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Com o endereço definido, o passo seguinte foi pensar no mobiliário para povoar os cinco ambientes da nova casa: cozinha, ateliê, sala para ver filmes, quarto e banheiro. A moradora procurou não seguir regras e aos poucos foi comprando ou garimpando objetos que lhe emocionassem de alguma maneira, como o secador de cabelo antigo (daqueles em que as mulheres colocavam praticamente a cabeça inteira dentro) que foi encontrado na rua e transformado em uma luminária de piso bem-humorada. Outra peça original é uma mesa de uma marcenaria de 1800 que ela comprou em uma loja de artigos vintage. Além do visual rústico, o móvel desperta a curiosidade da artista, que fica imaginando quantas pessoas já trabalharam ali, ou a história por trás de cada prego cravado e de cada amassado na madeira.

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Grande parte das coisas tem um toque pessoal ou é resultado de alguma intervenção, então o apê tem uma atmosfera meio artesanal, só que urbana ao mesmo tempo. As flores estão sempre presentes, porque alegram a rotina, assim como as pedras que ficam tomando sol na sacada estreitinha. É ali também que a Berenice corre de um lado para o outro brincando com os carros que passam na rua ou espiando o ritmo da cidade.

O apartamento tem um charme único porque reflete exatamente quem a Julia é: “Quando estou triste, ele fica quase caótico. Me perco entre canetas, canecas, cadernos e livros. Mas quando estou feliz começo a organizar tudo e dar lugar para cada coisa. Se busco minha calma, primeiro imprimo ela em casa para depois absorver.”

Essa história está cheia de detalhes especiais, por isso vamos contar mais na quarta-feira. Volta aqui pra descobrir…

Continua-final

Fotos por Rafaela Paoli

Deixe seu comentário 2 Comentários

  1. De longe a minha favorita! Pura poesia… nas palavras, nos ambientes, nos detalhes, na moradora… amei! 🙂

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  2. De longe a minha favorita! Pura poesia… nas palavras, nos ambientes, nos detalhes, na moradora… amei! 🙂

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Histórias

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