Convite ao convívio | Capítulo 1

Uma casa acolhedora compartilhada por amigos que adoram decoração

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Guiada por um desejo meio inconsciente de compartilhar a rotina com outras pessoas, a diretora de arte Dárida Rodrigues deixou seu antigo apartamento, onde morava sozinha, para alugar um sobrado dos anos 70 no bairro do Sumaré. Não dá para negar que a rua de paralelepípedos tranquila e arborizada foi um dos atrativos, assim como a possibilidade de olhar para o céu e cultivar plantas e ervas, porém o que realmente a levou por esse caminho foi a chance de conviver com os amigos todos os dias, trocando experiências.

Hoje, alguns anos após a mudança, ela divide o lugar com outros três moradores: Luís Eduardo Tavares e Manuel Brettschneider, ambos administradores; e o bailarino Luiz Oliveira. A casa de 160 m² tem dois dormitórios, uma suíte e mais um quarto que fica na edícula, então todos têm direito a seus preciosos momentos de privacidade.

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Na época em que estava procurando imóveis Dárida alugava também um estúdio que lhe servia como escritório, mas coincidentemente o contrato desse espaço estava prestes a acabar. Assim toda a disposição que ela já tinha para trocar de endereço foi reforçada pela ideia de trabalhar em casa e levar uma vida mais econômica e sustentável. Sua intenção era tão nobre que o universo conspirou a favor e em um belo dia ela descobriu a simpática casinha enquanto pegava carona com um amigo. A placa de “aluga-se” não passou batido e em alguns minutos a diretora de arte estava lá dentro conhecendo os ambientes e se apaixonando a cada passo.

Acostumada a idealizar cenários para filmes – que normalmente precisam ser montados em curtíssimo prazo e possuem diversas limitações de briefing – ela quis seguir a direção contrária em sua própria casa, brincando, experimentando e deixando as coisas tomarem forma espontaneamente. Dárida tem um ritmo pessoal oposto ao de sua profissão, ela segue uma rotina mais suave e natural, sem normas e preconceitos, mas com humor e delicadeza. No entanto o trabalho ajudou com o olhar ágil na hora de adequar os móveis aos cômodos e o dom natural para improvisar soluções criativas. Em sua opinião a decoração nunca está realmente pronta e deve permitir erros também, não precisa ser estática e certinha.

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Para evitar comprar coisas novas ela reaproveitou quase tudo do apê que ocupava antes e trouxe inclusive o mobiliário que pertencia ao escritório: “Gosto muito de peças duráveis ou com história, restauradas ou não, e prefiro itens antigos, então raramente compro objetos decorativos”. Ela é uma daquelas pessoas que sabe reconhecer o valor das marcas do tempo, dos materiais que já não se encontram por aí, das técnicas de fabricação manuais… Essas diferenças sutis podem passar despercebidas por alguns, porém a seu ver são elas que trazem o humanismo que está ficando cada vez mais raro nos dias de hoje: “Elas nos lembram de como a vida com menos pressa e mais atenção é mais inteira e interessante”.

Em uma casa onde a moradora tem essa forma de pensar, seria impossível não encontrar relíquias familiares. O tapete verde geométrico da década de 70 que fica na sala de TV foi usado por ela para brincar, deitar e rolar quando era criança. Outro objeto que remete à infância é o jogo de chá de porcelana dourada que já está até meio desbotado e foi presente de casamento da mãe de Dárida, há mais de 50 anos. Pendurado em um canto da estante, o vestidinho de quando ela era bebê também virou parte da decoração. Cada item é um pedaço da história de amor ou de humor de pessoas queridas contada através dos anos.

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Quando não são herdados de família, os móveis podem vir de outros lugares especiais, de uma caçamba na rua a um bazar ou brechó. Tudo em nome de reduzir o consumo e aumentar a criatividade e a capacidade de reaproveitamento. As gavetas que formam as prateleiras da cozinha são um ótimo exemplo – elas foram achadas em uma caçamba e, após uma limpeza e a aplicação do verniz, ganharam nova função.

Logo que se mudou a diretora de arte investiu no que mais lhe fazia falta: plantas. As primeiras aquisições foram duas samambaias e algumas suculentas, só que agora o jardim cresceu e diversas espécies se espalham pela área externa e pelo peitoril da janela, como orquídeas, lavanda, uma pitangueira pequenina, temperos e até a trepadeira do vizinho, que decidiu invadir o quintal de fininho. Iniciante no assunto, ela está aprendendo aos poucos as delícias de mexer na terra e descobrir as preferências de cada plantinha – seu sonho é ver esse ambiente e o corredor lateral externo todo florido.

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Dárida enxerga sua relação com o lar de forma poética, como só quem se conhece muito bem pode enxergar: “A casa é sempre um espaço um tanto reservado do mundo externo, mas que reflete também nosso espaço interno, aquele que a gente vive querendo desvendar, conhecer, aceitar e entender melhor – e que acolhe como nenhum outro. Ela é a expressão desse nosso desenho pessoal em construção”.

Impossível não querer saber mais sobre a vida, a rotina e a decoração desse ninho, né? Então acompanhe o blog para não perder o próximo capítulo da história.

Continua-final

Fotos por Rafaela Paoli

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Histórias

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