Mania de reforma | Capítulo 1

Uma casa charmosa com alma industrial e acabamentos brutos

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

O cenário não era dos mais animadores: uma casa construída na década de 1970, com a estrutura detonada e sem os revestimentos interessantes daquela época, removidos durante uma reforma. Mesmo com tantos fatores pesando contra, o arquiteto e publicitário Jr. Zangari foi capaz de enxergar o potencial do sobrado de 140m² na Vila Madalena, comprado por ele há cerca de dois anos. Após seis meses de obra e alterações em praticamente todos os cômodos, Zangari conseguiu modernizar o imóvel sem descaracterizá-lo, resgatando a beleza dos elementos originais e montando espaços aconchegantes para ele e sua filha Alice, de 10 anos.

Os antigos proprietários da casa, um casal de idosos que viveu no endereço durante quatro décadas e ali viu seus três filhos crescerem, haviam trocado acabamentos e esquadrias, como o piso de tacos, totalmente removido, ou as janelas de ferro, substituídas por modelos de alumínio. Foram justamente essas mudanças que Zangari procurou reverter primeiro, por isso ele começou a reforma instalando um assoalho de madeira no térreo e recortando a parede lateral da sala de estar para criar novas aberturas, o que garantiu mais iluminação natural. Esses vãos, paralelos à porta de entrada, ganharam vidraças compradas em lojas de materiais de demolição e elas se adequaram tão bem ao ambiente que parecem pertencer ao sobrado desde sempre.

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Para que os cômodos ficassem mais integrados, o arquiteto removeu a parede que separava a cozinha da sala e diminuiu o lavabo, agora encaixado discretamente sob a escada de mármore original. Apaixonado pelo estilo das construções dos anos 70, com paredes de tijolos grossas e vigas aparentes, Zangari descascou algumas das superfícies para deixar a estrutura da casa exposta, com direito a imperfeições e tubulações elétricas à mostra. Com a nova distribuição e tantos detalhes bem pensados, os espaços se tornaram cada vez mais práticos e confortáveis, como pede a rotina dos moradores.

Também com janela e porta de demolição, a cozinha foi equipada com armários verdes desenhados por Zangari e uma bancada de granito preto que fica de frente para o quintal estreito e comprido lá fora. A trepadeira, plantada em um canteiro lateral que antes nem existia, forma um painel natural emoldurado pela abertura – se um dia faltar inspiração para cozinhar ou receber os amigos, as plantas tratam de deixar a tarefa mais prazerosa. Encaixada em um nicho de alvenaria feito justamente para acomodá-la, a geladeira não atrapalha a circulação.

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Nessa casa, nem mesmo os móveis são óbvios. Muito ligado na história por trás das coisas que compra, o morador é um garimpeiro de mão cheia. Um belo exemplo é a estante de jacarandá que reúne livros e revistas na sala de estar: “Tive um longo namoro com essa peça. Ela ficava em uma loja de antiguidades e o dono do local estava disposto a vender tudo, menos a estante. Fiquei de olho nela durante três anos e nada, até que um dia ele resolveu vender.”, lembra Zangari. As cadeiras coloridas da mesa de jantar, fabricadas pela L’Atelier na década de 1970, e as poltronas Commander assinadas por Jorge Zalszupin também entram para a lista de achados.

Itens herdados de família, como o armário de madeira que pertenceu ao escritório do avô do arquiteto e hoje funciona como cristaleira, completam a composição ao lado de quadros trazidos de viagens ou feitos por amigos artistas.  “Gosto dessa mistura de estilos e de trabalhar com as memórias, mas sem exagero. Me encanto mesmo pelas linhas mais retas, geométricas e harmoniosas, porém acredito que uma construção bem-feita e um bom mobiliário envelhecem bem, por isso são atemporais.”, resume o morador.

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Se Zangari não tivesse confiado no potencial dessa casa antiga, ele nunca teria descoberto os prazeres de morar em um lugar tão acolhedor e que reflete sua personalidade em cada detalhe da arquitetura e da decoração. Mesmo com a reforma, todos os elementos conversam entre si e parecem ter sido feitos para estar justamente onde estão.

Para não perder a continuação dessa história, clique no ‘Continua’ e confira o Capítulo 2 na íntegra!

Continua-final

Fotos por Isadora Fabian

Deixe seu comentário 13 Comentários

  1. Perfeitaaaaa!!!

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  2. Lindo, amei. Esperando o próximo capítulo ansiosa.

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  3. Incrível!

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  4. Linda decoração! Gostaria muito de saber onde comprar esse filtro de barro da cozinha e esse suporte mecramê do vasinho de suculenta. Pode ser?

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  5. Delícia de casa! Esses tijolinhos são maravilhosos, a cozinha tbm está linda! ! No extra da marginal pinheiros, na entrada do Panamby, tem vários filtros de barro, sempre compro a veja para o meu la. Bjos

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    • Oi Yve!!! Obrigada pela dica do filtro 😉
      Sobre os tijolinhos, também ficamos encantadas com essa versão mais rústica. Beijos

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  6. Perfeita! Quero morar nessa casa!

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  7. Gente que mistura que deu certo!!!! Dá vontade de morar nesta casa!!! Você conseguem me dizer de onde é o sofá??!!! bjs.

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    • Oi Kátia, tudo bom?
      Essa casa realmente tem muitos encantos. 🙂 Entramos em contato com o morador e ele nos informou que o sofá é da marca Emporio Beraldin e se chama Gherk. No site deles o modelo aparece com couro preto, mas o estofamento é definido na compra. Dá uma olhada: http://www.emporioberaldin.com.br/Sofas.asp
      Beijos!

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  8. Aff, essa casa abusou do direito de ser charmosa.

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  9. Amei. Simples e aconchegante

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Histórias

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