Viver sem pressa | Capítulo 1

Muitas surpresas em um apartamento com jeito de casa

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Com jeito e clima de casa, o apartamento de Luciana Pitombo e Felipe Nogueira Stracci é uma deliciosa surpresa em um predinho dos anos 50 na Vila Clementino. Os espaços iluminados, as texturas naturais, as bicicletas na entrada, as plantinhas… tudo reflete o estilo de vida despretensioso do casal – mais preocupado em criar um lar acolhedor do que qualquer outra coisa. “Nosso apê concentra muitas das vontades que tínhamos: um prédio pequeno, sem elevador, com muito charme e ambientes cheios de potencial”, a moradora conta.

Luciana e Felipe se conheceram na Escola da Cidade, onde se formaram em arquitetura. Ela é também urbanista e ele é também paisagista, então os dois decidiram unir seus conhecimentos para criar a Plantar Ideias, um estúdio de design e arquitetura de áreas externas. O conceito do estúdio de transformar a realidade da paisagem é algo que o casal colocou em prática na reforma do apartamento. Aliás, transformação é realmente a palavra certa para definir as mudanças realizadas durante a obra.

“Foi muito prazeroso fazer a nossa própria casa. Acredito que todo arquiteto goste de ser o seu próprio cliente. Em nossa casa temos uma maior liberdade para carregar as bagagens e referências que de algum modo gostaríamos de exprimir em forma de projeto”.

O apartamento tem 70m² ao todo, porém a antiga disposição dos ambientes não favorecia essa metragem e por isso o lugar parecia menor. “A planta é muito linear, então boa parte da área do apê era ocupada por um grande corredor”, Luciana lembra. A princípio a reforma previa a retirada das paredes que separavam a cozinha e a sala, mas para que essa mudança fosse possível o casal precisaria reforçar a laje de alguma maneira – e isso encareceria muito a obra. Felizmente, o que parecia ser um problemão acabou se tornando uma das características mais especiais do lugar: “Vimos que a laje não era muito espessa e que sobre ela havia as tesouras de madeira do telhado. Por se tratar de um prédio antigo, tem dessas coisas. Com a demolição, criamos um pé-direito de 4,20 metros, expondo o telhado”, eles explicam.

Esse detalhe com certeza contribui para a sensação de ‘casa’ que o apartamento transmite, mas a presença das plantas também tem seu papel nessa equação. Felipe trabalha com a natureza desde os seus 16 anos, portanto viver cercado de plantinhas já é algo intuitivo para ele. Na entrada, na sala, na varanda… os vasos se espalham pelos cantos formando núcleos verdes. Segundo o casal, muitas das espécies foram garimpadas, outras foram trazidas de viagens ou até mesmo herdadas. “Temos um sentimento por elas muito maior do que apenas a decoração. As plantas realmente fazem parte da nossa vida, nos trazem inspiração e aconchego”.

Ao invés de sair comprando móveis e objetos novos para decorar o apartamento, Luciana e Felipe primeiro checaram tudo o que já possuíam e que poderia ser aproveitado na hora de mobiliar os espaços. Alguns dos tesouros encontrados no acervo das duas famílias são o carrinho de chá criado por Geraldo de Barros, herdado da avó materna da moradora; a cadeira do home office, com mais de 100 anos, presente de uma família de dentistas e reformada por Felipe; e um baú que cruzou os mares vindo da Itália durante a Segunda Guerra e acompanha o morador desde a infância.

“Na decoração da nossa casa damos prioridade aos objetos e elementos que trazemos de viagens, seja um galho de árvore coletado no rio ou uma obra de arte”, eles dizem. Além de itens trazidos do México e do Peru, como as bandeirinhas coloridas sobre a porta de entrada ou o tapete comprado de uma artesã em Cuzco, o casal tem diversas peças vindas da Amazônia. “A família do Felipe vem de lá, por isso sua conexão com essa região sempre foi muito forte. Alguns anos atrás fizemos uma viagem de um mês pela Amazônia e acabamos entrando em contato com o artesanato indígena. Trouxemos uma coleção de parentes, zunideiras, remos, cestarias e bancos de animais – até hoje esse artesanato nos inspira em nossa produção enquanto designers”.

O apartamento traduz as escolhas e o lifestyle natural do casal em cada detalhe. “Aprendemos muito com a faculdade a aproveitar a cidade e não ficar dentro de si mesmo, por isso a busca por áreas onde não precisamos ter tudo em casa, uma vez que a cidade já nos dá tanto”. Luciana e Felipe não têm carro, cultivam as plantas como se fossem parte essencial da casa, valorizam o trabalho artesanal e preferem peças que tenham histórias por trás – não à toa, seu apê é um refúgio leve e inspirador. Confira mais fotos no Capítulo 2, amanhã! 

Onde encontrar

PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

Deixe seu comentário 6 Comentários

  1. Qual a referência desse azul petróleo?

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    • Oi Scarlet, tudo bom??
      Infelizmente a moradora não conseguiu localizar o nome da tinta. 🙁
      Uma pena né?

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  2. Adorei o apto! Vcs sabem dizer de onde é o sofá?
    bjos

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    • Oi Anna, tudo bom?
      Lindo, lindo esse apê não?
      Estamos checando com a moradora para descobrir de onde é o sofá, quando souber te aviso. Mas vale comentar que eles mandaram fazer essa capa cinza super gostosinha que reveste o móvel.
      Beijos

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  3. Gente, li que eles embutiram a TV no forro, na sala. Não consegui achar. Onde está e como ficou? Obrigada! 🙂

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    • Oi Lilian, tudo bom?
      Na verdade eles embutiram um telão no forro, então não é uma TV convencional. Quando não está em uso, ele se recolhe completamente, por isso não aparece nas fotos. Para fazer algo assim, você precisaria de um projetor e um telão ou uma parede branca lisa onde pudesse projetar as imagens. 🙂
      Vale pesquisar melhor o tema, pois é uma boa solução. Beijos!

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Histórias

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