Coração paulistano | Capítulo 1

Decoração com personalidade em um apartamento feito para receber

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

O Centro de São Paulo é um lugar de contrastes. Ao mesmo tempo em que há muitas vantagens, existem também alguns pontos negativos de se morar ali. Felizmente, eles não são o suficiente para desanimar os apaixonados pela região, como o arquiteto Fernando Falcon e o artista plástico Lucas Simões. O casal vive junto há 12 anos e nesse meio-tempo já passou por 3 endereços diferentes, todos na área central da cidade: seu primeiro apartamento foi no Edifício Louvre, de Artacho Jurado; o segundo era no Ed. Eiffel, de Oscar Niemeyer; e o último fica em um prédio encantador com fachada coberta por trepadeiras no viaduto Major Quedinho.

“Várias coisas nos interessam no Centro. Em primeiro lugar, existe essa possibilidade de morar e trabalhar em espaços amplos, em edifícios bem projetados e executados. É uma arquitetura de alta qualidade, generosa com os que a ocupam e generosa com a cidade. Depois tem a situação urbana em si – o uso misto dos locais, a vida que acontece na rua, na calçada, nos bares, a possibilidade de ir trabalhar a pé… – e também a diversidade dos que habitam e frequentam a região”, Fernando conta.

Por ironia do destino ou talvez um mero acaso, a reforma do apartamento não foi realizada pelo morador – logo ele, que assina incríveis projetos ao lado do sócio, Rodrigo Cerviño Lopez, no Tacoa Arquitetos. Alugado de um amigo que comprou o imóvel em um leilão e o repaginou por completo, o apê veio com quase tudo pronto: ambientes espaçosos e iluminados, cozinha aberta para a sala, novos revestimentos nos banheiros e vigas aparentes. “O apartamento já estava basicamente desse jeito, fizemos pequenos ajustes”, Fernando diz. O segredo do casal foi usar suas peças queridas para deixar a decoração mais pessoal e autêntica.

“Nossos móveis e objetos foram adquiridos ao longo desses 12 anos em lugares distintos – em viagens, na rua, em antiquários, presentes, itens novos, peças de amigos designers… O Lucas gosta muito de objetos, de pedras, de madeira, de barro. Ele tem uma questão com a materialidade”. Essa relação de Lucas com diferentes matérias-primas se traduz não só em seu trabalho como artista, mas também na casa. Várias de suas obras estão espalhadas pelos cômodos, como uma fotografia com camadas sobrepostas ou o livro de Pier Luigi Nervi, ambos expostos no aparador da sala.

Esse móvel, aliás, é uma das peças preferidas dos moradores. O buffet e o aparador são itens originais de Jorge Zalszupin e estavam abandonados no depósito de um amigo do casal antes de virem parar no apartamento. Já o banco com tecido verde fluorescente é um protótipo de outro amigo, o designer Humberto da Mata, que os presentou com o modelo em fase de estudo. Apaixonados pela Bahia e pelo trabalho dos artesãos que vivem por lá, Fernando e Lucas aproveitam suas viagens para trazer na bagagem objetos únicos, como as cabeças de barro de Dona Dagmar, de Belmonte, ou o banco de madeira esculpido por um artesão uruguaio.

Impossível passear pelo apartamento e não notar a presença constante das plantas. “Mais do que todos os objetos, nós amamos as nossas plantas. Elas instalaram e definiram o clima do apê. De certa forma, eu me sinto em casa por causa delas”, Fernando explica.

Como arquiteto, Fernando até poderia se frustrar por não poder fazer grandes mudanças no apê, mas na verdade ele procura encarar as limitações do imóvel alugado de um jeito positivo: “A grande questão do apartamento alugado é que em algum momento você sairá de lá, às vezes até sem previsão. Isso por um lado é bom, porque você não fica tão apegado ao espaço, então tem uma sensação de liberdade maior”. Para continuar acompanhando essa matéria, fique ligado no blog. Amanhã tem o Capítulo 2! 

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PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

Fotos por Alessandro Guimarães

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Histórias

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