Plantas dentro de casa

Um manual essencial para ter plantas lindas em espaços internos

É impossível negar a influência positiva das plantas sobre as pessoas e os espaços em que vivem. Para celebrar essa relação e incentivar o cultivo dentro e fora de casa, convidamos a Selvvva e a Escola de Botânica a compartilhar aqui no blog algumas dicas preciosas sobre o tema. Olha só… 

Ter um jardim generoso como os que nossas mães e avós tinham em casa é um sonho que poucos conseguem realizar hoje em dia – afinal, quem vive em grandes cidades acaba optando pelos apartamentos como uma alternativa mais barata ou segura. Felizmente, aquela história de que não dá para cultivar plantas lindas em ambientes internos caiu por terra. Nós sabemos que é possível, sim, criar um jardim cheio de plantinhas felizes nos mais diversos cenários: inclusive nos apês que não recebem tanta luz ou não tem muito espaço disponível.

A vontade de trazer a natureza para dentro de casa está falando cada vez mais alto? Então você precisa ler essa matéria! Nela respondemos às dúvidas mais comuns sobre plantas para espaços internos e de quebra incluímos um mini glossário com 4 espécies interessantes.

1. Rhipsalis (Rhipsalis salicornioides); 2. Aglaonema (Aglaonema spp); 3. Alocasia (Alocasia sp); 4. Pacová (Philodendron martianum); 5. Costela-de-adão (Monstera deliciosa); 6. Antúrio (Anthurium sp)

  • Quais são as espécies mais indicadas para ambientes internos?

Selvvva: Ter sol direto dentro de casa é um privilégio para poucos, por isso as plantas que mais indicamos são as de meia-sombra – que só precisam de luz difusa. Entre elas estão filodendros, columéias, antúrios, samambaias, begônias, entre outras.

  • Podem citar outras espécies menos conhecidas, mas que também se adaptam bem a espaços com iluminação indireta? 

Escola de Botânica: A maior parte das plantas que cultivamos no ambiente doméstico é exótica, ou seja, elas são originárias de outros países. Poucas são as espécies nativas, que originalmente existem nas matas brasileiras. A vantagem de ter essas espécies nativas em casa é a facilidade de adaptação que a maioria delas tem. Sendo assim, o cultivo de bromélias, begônias, avencas, íris e plantas da família botânica das aráceas, como os filodendros, é bastante indicado para locais sombreados.

  • Como descobrir onde posicionar os vasos na casa para que as plantas vivam bem?

Escola de Botânica: O primeiro passo para entender uma planta é saber sua origem. Há espécies que na natureza vivem em ambientes úmidos e sombreados, como a maioria das samambaias. Sendo assim, se reproduzirmos essas condições em casa, não há dúvidas de que as samambaias terão um ótimo desenvolvimento. Quando não temos informações sobre o tipo de ambiente que nossas plantas habitam na natureza, a saída é observar e acompanhar diariamente seu desenvolvimento. É melhor ter menos luz, do que luz em excesso, por exemplo. O excesso de luz solar direta altera o desenvolvimento de muitas espécies, causando danos às vezes irreversíveis.

Pelo menos uma vez por semana dê uma atenção maior às plantas e observe se houveram alterações em seu desenvolvimento. Caso isso tenha acontecido, teste um novo posicionamento ou local, mas faça isso de maneira gradativa. Não leve uma planta para um ambiente cuja intensidade de luz seja muito diferente de forma drástica.

1. Fitônia (Fittonia albivenis); 2. Avenca (Adiantum raddianum); 3. Columéia batom (Aeschynanthus pulcher); 4. Pacová (Philodendron martianum); 5. Antúrio (Anthurium sp.); 6. Costela-de-adão (Monstera deliciosa)

  • Qual é o erro mais comum no cultivo das plantas dentro de casa e como evitá-lo?

Escola de Botânica: A falha mais comum está relacionada diretamente à frequência das regas. Muitas vezes molhamos demais as plantas e isso causa o apodrecimento das raízes. Por outro lado, há um grande número de pessoas que não têm tempo e se esquecem das regas. A falta de água causa a morte de algumas células e quando isso acontece é possível notar mudanças na forma e na cor das plantas. É importante observá-las diariamente, afinal são seres vivos que necessitam de cuidados essenciais.

Uma maneira de dosar a quantidade e a frequência de água é encostar o dedo na terra ou substrato antes de molhar para notar se há humidade. Se a terra grudar no dedo, provavelmente não precisa de rega. Importante: isso não se aplica aos cactos, que adoram solo seco.

  • Mais dicas sobre as regas:

Selvvva: Não gostamos de passar uma fórmula pronta, pois algumas pessoas se apegam a essas informações e acabam não se atentando aos sinais que as plantas passam. Por mais que variem de espécie para espécie, as frequências das regas também variam de acordo com as condições em que a planta se encontra. Vasos maiores seguram a umidade da terra por mais tempo, e até o material do vaso influencia. O vaso de barro, por exemplo, mais poroso, perde mais umidade do que um vaso de plástico. Se uma planta estiver perto da janela, provavelmente vai precisar de mais água do que se estiver mais afastada. Assim como no verão as plantas precisam de mais água do que no inverno.

É importante não exagerar na quantidade de água a cada rega, colocando apenas o suficiente para umedecer a terra. Prefira aumentar a frequência das regas ao invés de aumentar a quantidade de água. Ao regar, tente amenizar o impacto da água no solo para evitar que o atrito compacte a terra (o uso de regador ajuda bastante nesse quesito). Sempre distribua a água por todo o vaso, não despejando tudo em um mesmo ponto.

  • Que outras dicas importantes vocês dão para quem quer deixar as plantas mais saudáveis?

Escola de Botânica: Plantas em casa acabam se tornando objetos de decoração também, e com isso vem o acúmulo de pó. Utilize um pano úmido ou até mesmo uma escovinha macia para remover o pó das plantas. Pulverizar água sobre as folhas é muito bom para algumas espécies, mas nada legal para outras. Plantas com folhas lisas tendem a repelir a água, então podem ser pulverizadas. Já as plantas peludas, como cactos e a maioria das suculentas, não gostam de receber água pulverizada, então evite nesse grupo.

A adubação é algo pouco frequente, porém fundamental para manter um bom desenvolvimento das plantas em vasos. Quando molhamos os vasos, é natural que saia pelos furos uma boa parte dos minerais presentes no solo. O processo é gradativo, mas é necessário repor esses minerais periodicamente. Para a maioria das plantas domésticas, adubar em proporções adequadas a cada dois ou três meses é mais que suficiente.

O tamanho do vaso e o tipo de planta vai influenciar na quantidade e na escolha do adubo. Prefira os orgânicos e o chorume proveniente de compostagem – eles normalmente devem ser diluídos para não agredir as raízes e o solo. Evite o uso do chamado NPK, pois a maior parte das plantas necessita de 16 elementos minerais essenciais para se desenvolver bem e quando colocamos NPK estamos repondo apenas 3 deles.

4 espécies para ter em casa:

  • Costela-de-adão (Monstera deliciosa)

Rega: Aproximadamente 1 vez por semana. Manter o solo sempre úmido, mas sem encharcar. Antes de regar, coloque o dedo cerca de 2cm dentro da terra para sentir se tem umidade. Se estiver muito molhado, não regue.

Luz: Meia-sombra (sem insolação direta)

Toxicidade: Todas as partes da planta apresentam oxalato de cálcio, substância que pode ser tóxica para animais domésticos e humanos dependendo da concentração. Seu fruto é comestível quando maduro, porém enquanto verde pode causar intoxicação se ingerido.

Particularidade: Nativa do México, amplamente cultivada no mundo e adaptada a diferentes ambientes.

  • Pacová (Philodendron martianum)

Rega: Entre 1 vez por semana e a cada 10 dias. Também indicamos usar o teste do dedo para medir a umidade.

Luz: Meia-sombra (sem insolação direta)

Toxicidade: Não há indícios científicos comprovando se a espécie apresenta algum tipo de toxicidade.

Particularidade: Espécie nativa da Mata Atlântica. É encontrada nas matas dos estados de SP, RJ e SC.

  • Antúrio (Anthurium sp.)

Rega: De 1 a 2 vezes por semana, dependendo do substrato (e das condições citadas acima).

Luz: Meia-sombra e sol da manhã, pois um pouco de sol ajuda a florescer

Toxicidade: Também apresentam uma grande concentração de oxalato de cálcio em suas partes, principalmente nas áreas coloridas e vermelhas. Portanto são tóxicas para humanos e animais domésticos se ingeridas.

  • Columéia-batom (Aeschynanthus pulcher)

Rega: De 1 a 2 vezes por semana, evitando encharcar o solo (também usar o teste do dedo).

Luz: Meia-sombra e sol da manhã, pois um pouco de sol também é benéfico

Toxicidade: Não há indícios científicos comprovando se a espécie apresenta algum tipo de toxicidade para humanos ou animais domésticos.

Particularidade: Planta nativa da Indonésia que apresenta flores vermelhas e se adapta a diferentes condições.

Fotos por Gisele Rampazzo

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  1. Excelentes informações! Amo o mundo das plantas, flores e suas cores.

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Jardim urbano

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