Clima de sítio na cidade

Simplicidade e detalhes afetuosos compõem a decoração desse apartamento

O cheirinho de pão caseiro assando no forno é o aroma que dá as boas-vindas no apartamento da jornalista e cozinheira Nana Caetano. ‘Escondido’ no térreo de um prédio antigo em Pinheiros, seu lar tem detalhes cheios de afeto e simplicidade, como o banco com futons na beira da janela ou o quintal com rede e piso de caquinhos. Não à toa, o lugar é carinhosamente chamado de Pequeno Sítio, como uma homenagem à sensação de paz e calmaria que o espaço exala. O amor pelo apê é tanto que a moradora usou o mesmo nome para batizar seu projeto pessoal, focado em cursos e pesquisas sobre pães de fermentação natural e outros fermentados.

Nana descobriu o apartamento por acaso, mesmo porque na época em que o visitou pela primeira vez ela nem estava procurando um novo lugar para morar. No entanto, o clima bucólico do espaço era tão apaixonante que ela acabou indicando o imóvel para uma amiga. Eis que, mais de 5 anos depois, quando essa amiga resolveu se mudar, a jornalista aproveitou a chance e alugou o apê sem pensar duas vezes. “Foi uma sorte enorme que ele tenha voltado para mim muito tempo depois”, ela fala.

Pode-se dizer que Nana é uma nômade contemporânea – ao todo ela já viveu em 24 casas diferentes, passando por 7 cidades e 4 países. Essa bagagem não só a tornou mais adaptável a novos espaços, como também a ensinou a transformar qualquer lugar em um lar usando as peças que já possui. “Praticamente nunca compro coisas novas quando me mudo. Acho legal esse desafio de fazer os objetos caberem e fazerem sentido em tantos locais distintos. Tenho plantas que estão comigo há 16 anos, móveis que eram do meu quarto de criança, outros que herdei de amigos e muitos vindos dos meus pais ou avós”.

Com a ajuda de sua mãe, que é arquiteta, a jornalista sempre dá um jeitinho de dispor bem os móveis em outras configurações – principalmente aqueles que têm um significado especial. A cozinha, um dos cômodos mais charmosos do apê, é o lar de muitos deles: o gaveteiro veio de um armário antigo; o nicho de madeira com copos e xícaras pertenceu ao primeiro quarto de Nana e servia de apoio ao berço; o fogão simples, mas potente, foi presente de um amigo querido; a jarra de flores de cerâmica é criação de uma amiga e os banquinhos foram trazidos de diferentes lugares do mundo. As pratarias da avó Beatriz também são reutilizadas como jarras, cachepôs ou bandejas. Aqui tudo se reinventa.

Com mais de cem tipos de plantas e temperos, uma arquitetura com ares de casa e um silêncio incomum em São Paulo, o apartamento não poderia mesmo ter outro nome. Além de servir como ‘escola’ durante os cursos organizados por Nana, o endereço é palco de almoços animados que começam cedo e não têm hora para acabar. Provavelmente é o sangue mineiro falando mais alto. “Eu nasci e cresci em Minas. Meu avô materno era um grande cozinheiro, e minha mãe também ama o tema. Do lado paterno, temos uma fazenda rica em queijos, pamonhas, leite, frangos, farinha… então cresci assim”, a moradora explica.

Essa paixão pela culinária foi ganhando força a cada ano e agora culminou na criação do Pequeno Sítio. Tudo começou como um passatempo, uma distração de Nana em seus momentos de folga, mas logo o interesse dos amigos e conhecidos cresceu e ela viu aí a oportunidade de oferecer os cursos como um serviço paralelo. “A ideia dos cursos é que as pessoas aprendam, claro, mas também que seja um encontro alegre. Para mim, fazer com que as pessoas se aproximem do que comem e comam melhor é micropolítica. É meu jeito de melhorar um pouco o mundo”.

Nana encara sua relação com o morar como a dos caracóis: ela leva sua casa para onde quer que vá. Quando muda de endereço, em poucos dias os espaços já assumem sua personalidade e parecem trazer todas as histórias vividas anteriormente. “Nesse sentido, meu lar sou eu mesma. O lar é a minha presença”, ela define. Ponto de equilíbrio entre a rotina agitada no trabalho e as raízes caseiras, seu apartamento com cara de sítio é prova dessa conexão entre ser e estar.

Onde encontrar

PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

Deixe seu comentário 6 Comentários

  1. Que espaço lindo e agradável! E que bom alguém com essa leveza, de saber que não precisa comprar e reformar tudo sempre. Linda a visão de que o lar é ela mesma e onde ela estiver. Achei inspirador!

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  2. Pirei na casa !!! E mais ainda nas flores de alho !!!

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  3. Acompanho o blog desde o comecinho e essa foi uma das casas que mais me encantou ❤

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  4. Amo o blog, já divulguei para muitas amigas! 🙂 Achei essa casa uma delícia! E o cheiro de pão?! fiquei imaginando…

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    • Oi Nina, tudo bem? Ahhh, que fofa, obrigada por nos indicar, ficamos felizes!!! Esse apê é muito aconchegante e a Nana um amor 🙂

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