Tempo de calma | Capítulo 1

Muito branco e texturas acolhedoras criam a atmosfera tranquila desse apê

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Do lado de fora, uma avenida movimentada da cidade, com pessoas indo e vindo todos os dias. Do lado de dentro, muita calmaria, janelas emoldurando o jardim do prédio e uma decoração branquinha e suave. Esse contraste é um dos detalhes que surpreende quem entra no apartamento térreo da designer de interiores e produtora Mariana Kraemer. Seu marido, Rafael Vogt Maia Rosa, é crítico de arte, dramaturgo, músico e artista plástico nas horas vagas, então a arte – em todas as suas formas de expressão – é o fio condutor desse lar.

Antes de se mudar para o apartamento em Higienópolis há quase 2 anos, o casal havia morado nos Estados Unidos durante um tempo, então quando eles voltaram ao país logo começaram a procurar um imóvel para alugar – os dois tinham pressa para se estabelecer, principalmente porque Mari estava grávida da pequena Felipa na época. Para completar a equação, a designer estava realizando um trabalho no Rio de Janeiro e por isso viveu alguns meses na ponte aérea.

“Um dia pela manhã, antes de voltar a São Paulo, fiquei olhando o mar e pensando: tenho que achar um apartamento com a janela grande, com horizonte. Nesse mesmo dia, durante a tarde, descobri esse apê. Quando eu entrei, me tomei de felicidade. Era o apartamento mais lindo que eu já tinha visto. A janela dava para um jardim cheio de árvores, era amplo, com pé-direito alto, planta de prédio antigo… nada me tirava da cabeça que nosso lugar seria ali”, ela lembra.

O apartamento estava bem conservado e na verdade não seria preciso reformá-lo, mas o olhar de designer de Mari a botou fazendo mil planos e imaginando possíveis mudanças. “Como a profissão não nega, me enchi de ideias na cabeça, porém existia uma condição da proprietária: não podíamos mexer em nada, nem pendurar prateleiras e armários nos azulejos da cozinha, por exemplo”, ela conta. No entanto, o que poderia ter sido frustrante acabou sendo um alívio e hoje a moradora tem orgulho de dizer que o apê é um ‘patrimônio tombado’. Nesse caso, foi a família que precisou se adaptar à arquitetura original, e não o contrário.

Como o casal foi passar 2 anos em Nova York logo depois do casamento e suas peças permaneceram no Brasil, essa seria a primeira casa onde as coisas da Mari e as coisas do Rafael finalmente se encontrariam no mesmo lugar. “Eu já vinha pensando há um tempo como seria a nossa casa, ansiosa de nos vermos juntos, em um espaço real”, a designer diz. A maioria dos móveis pertencia a ela, enquanto a maioria das obras de arte eram do marido – e a soma de tudo isso é o que dá vida ao apartamento.

A presença do branco e dos tons claros na decoração também é algo que veio de Mari, já que ela sempre gostou de ambientes que transmitem leveza. “É uma escolha pessoal, faz parte de mim. Sempre a vontade de acalmar. E eu sabia que do lado do Rafael vinha seu universo encantado, colorido, cheio de livros, objetos e desenhos. Eu acreditava que o equilíbrio disso traduziria o que a gente espera ser como casal”.

Já que a arte e a música são elementos importantíssimos na vida da família, elas mereciam um espaço para si. Com cavaletes herdados do ateliê do pai de Rafael, artista plástico, e um tampo de madeira, o casal criou uma grande bancada de trabalho, também usada para encontros, aulas e debates. O piano tem um valor especial, porque foi um presente de boas-vindas ao apartamento, e o restante foi chegando de mansinho, baseado em experimentação e na flexibilidade.

“O Rafael é músico desde pequeno, tocou em orquestras e morou na Alemanha na adolescência por conta disso. Filho de um casal de artistas plásticos, a casa onde ele nasceu até hoje é integrada com dois ateliês de arte. Seu universo sempre foi esse. Eu sou neta de duas mulheres que sonharam em ser artistas de teatro e filha de uma mãe baterista, tocadora de piano e violão. Meu avô também tinha ateliê em casa, esculpia madeira, escrevia livros e pintava em nanquim. Me tornei apaixonada pelo movimento e pelo espaço, apaixonada pela dança e pelas artes. Sem dúvidas, nossa casa é o reflexo dessas histórias e agora ainda conta com os brinquedos e objetos da Felipa, sinalizando uma nova vida por aqui”. * Gostou da matéria e quer conferir o restante do apê? Tem mais clicando no Continua abaixo.

Onde encontrar

PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

Fotos por Alessandro Guimarães

Deixe seu comentário 4 Comentários

  1. Amei a decoração assim branquinha!

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  2. Que linda a planta que aparece nas fotos 3,4 e 5! Sabem qual é? O apê é maravilhoso!!

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  3. A sala é simplesmente demais, tão confortável e de uma beleza inteligente! ❤

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Histórias

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