Próximo destino | Capítulo 2

Decoração com tons neutros e móveis vintage garimpados pela Europa

Conquistar aconchego em um país distante, com uma língua diferente e longe da família pode não ser a coisa mais fácil do mundo, por isso a casa é muito importante nessa adaptação. Quanto mais acolhedora e cheia de memórias ela for, melhor. E foi isso o que a arquiteta e designer Marina Werfel Cahill buscou fazer em seu apartamento em Londres, compartilhado com o marido, Michael Cahill. “Os itens da nossa decoração são afetivos. Com certeza nossa casa reflete muito da maneira que vivemos, a nossa cultura. Meu marido é americano, mas ele parece mais brasileiro do que eu em alguns aspectos. Nosso apê é muito mais informal do que uma casa inglesa, adoramos receber e amamos deixar nossos amigos à vontade”, ela fala.

Marina lembra que a organização original do apartamento era bem diferente. A sala de jantar, por exemplo, ficava onde hoje funciona a sala de TV, então era menos ampla. Outra mudança de layout que melhorou ainda mais o apê foi a posição da cama: antes ela ficava de lado para a janela, mas a moradora preferiu colocá-la de frente para a vista, assim eles podem acordar olhando o céu. Na verdade, os móveis do casal mudam com frequência de lugar, e a arquiteta diz que em suas casas sempre houve essa flexibilidade, pois ela acaba comprando peças pelas quais se apaixona e só depois pensa em como encaixá-las nos espaços. “Eu tenho a sorte – e o azar – de morar perto de uma casa de leilão de móveis”, brinca.

Como a cozinha é totalmente aberta para a sala, a moradora tenta deixar o espaço com pouca informação, mas um ou outro achado acaba estacionando por ali de vez em quando. Entre os itens queridos estão uma peça de palhinha trazida de São Miguel dos Milagres, no Alagoas; a fruteira que uma amiga comprou no MoMA e deu para Marina usar em seu primeiro apê em NY; e um prato grande garimpado em Marrakesh. “Da última vez que fui para o Marrocos, voltei com 3 pratos grandes nos braços. Queria trazer tudo!”, ela lembra.

A arquiteta gosta bastante de cozinhar e aos poucos está se familiarizando com as receitas e os ingredientes londrinos – os livros de culinária ajudam nessa missão e ela inclusive já testou alguns pratos de inverno típicos. Animados, os moradores sempre recebem amigos em casa para jantares e encontros.

No quarto, além de trocar a posição da cama, Marina quis usar a cabeceira de palhinha, já que sempre amou esse material. Ela diz que as luminárias de parede e a cadeira de ferro também são seus xodós, e certamente a acompanharão em casas futuras. Já o aparador cinza, perfeitamente encaixado na parede lateral, funciona como uma penteadeira onde a arquiteta organiza seus acessórios e produtos de beleza. Para arrematar, uma composição de quadros de diferentes estilos e épocas ocupa a parede.

Para Marina, a arquitetura e a decoração devem ser funcionais, sim, mas pessoais acima de tudo. “Acho que a decoração tem que ser bem balanceada e prática, então ter um olho mais profissional pode ajudar nisso. Mas eu acho também que é algo tão pessoal. Uma casa só é uma casa porque reflete quem mora ali e cuida dela. Acho que um lar é feito de cuidado. No nosso escritório fazemos decoração para os clientes, mas é muito mais sobre como usar o que eles têm e descobrir o que gostam”.

Fotos por Maura Mello

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