O valor da simplicidade | Capítulo 1

Decoração feita com sentimento, cores e memórias em uma casa deliciosa

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Quem vê a fachada discreta dessa casa na Lapa nem imagina as surpresas que existem lá dentro. Pra começar, o terreno é dividido em três construções independentes que se conectam por meio de um corredor lateral cheio de plantas, e cada casinha tem um morador e uma história. Uma delas é a da Clarisse Romeiro, artista e designer de estampas que se mudou para o endereço há pouco mais de um ano. Se a arquitetura com clima de casa do interior já seria motivo suficiente para se apaixonar pelo lugar, que dirá agora com as delicadas e coloridas intervenções que Clarisse fez ao trazer seu olhar para o espaço.

Logo na primeira impressão a casa já ganhou o coração da artista – tanto que na hora ela soube que gostaria de viver ali. “Me encantei pelo pé-direito alto que faz respirar, pela distribuição simples dos cômodos conectados por um só teto, pelo mezanino com aspecto de casinha de brinquedo e também pelo fato de a casa fazer parte de uma micro vila com áreas comuns entre os moradores. Além disso, apesar de estar um tiquinho seco quando o conheci, o grande responsável pela certeza da escolha foi o jardim interno com vista para o céu”, ela lembra. De fato, a ‘janela’ emoldurando as plantas é um detalhe especial.

Clarisse gostou tanto da casinha que mudou pouca coisa quando a alugou. “Os acabamentos são todos originais e me identifico tanto que é como se eu mesma os tivesse escolhido”, brinca. A artista precisou instalar uma nova escada no mezanino, pois é onde guarda seus materiais de trabalho, mas fora isso apenas pintou o teto de branco e a cozinha de rosa. O jardim ganhou muitas plantas e está em constante transformação: na verdade, não para de crescer. Clarisse diz que esse é o lugar mais acolhedor da casa, e ela ama observar como as espécies vão tomando conta do espaço a cada semana. Inclusive, o jardim serviu de inspiração para uma das estampas desenvolvidas por ela para sua marca, o Veredas Atelier.

Para a moradora, a decoração de sua casa tem muito mais a ver com sentimento do que com estética. “Um dos meus quadros preferidos está na porta de entrada, um pôster de uma exposição que ganhei da minha irmã, com a frase da música Na Boca do Sol, de Arthur Verocai: Pra quem mora lá, o céu é lá. Me acompanha desde 2010 e está todo desbotado, mas diz muito sobre o que o conceito de lar representa para mim”, Clarisse conta. Como ela já tinha a maioria dos móveis, ocupar o novo endereço não foi nada difícil. Tudo flui de forma bem espontânea, incluindo palpites dos amigos que visitam e objetos sempre mudando de posição.

As peças maiores encaixaram-se conforme as prioridades: primeiro o piano ao lado do jardim; depois o sofá no espaço que sobrou na parede oposta; a cristaleira coube ao lado do piano e automaticamente virou o ‘móvel da música’; e desse modo as coisas foram se acomodando. Para Clarisse, tudo tem um pouquinho de poesia, então a posição das peças acaba fazendo sentido do jeito mais criativo. “Os objetos deixam de ser decorativos quando o ambiente os atribui funções reais: o boi e a máscara protegem a porta; a bandinha e o Gonzaguinha acompanham os instrumentos; Dom Quixote, o Cavaleiro Andante, e Sancho Pança, seu fiel escudeiro, são os aventureiros guardiões do jardim; a Santa Luzia me acolhe nos sonos profundos; e assim seguimos…”

Tudo o que está nas paredes é especial de alguma forma. Os quadros são quase todos de amigos, do pai ou da irmã de Clarisse, e muitos foram inclusive pendurados com a ajuda de seus autores. “Eles me remetem à boas lembranças de um dia ou lugar, de pessoas importantes, memórias que me fazem sentir viva e me acolhem na solidão sem que eu me sinta só”, a artista fala. Um deles é o retrato azul-estrelado de Júlio Santos, pintado por sua irmã e estampado por ela, especialmente para homenagear este mestre da fotopintura.

A música, também muito presente na casa, é um legado dos pais da moradora. Eles incentivaram as filhas a estudar violino e piano, e as idas a concertos e óperas eram constantes na infância. Os discos de música brasileira de seu pai; os de rock e punk de sua mãe; as músicas clássicas de sua avó e o jazz de seu avô… toda essa mistura a influenciou. “No final, não me aprofundei em nada, mais pela falta de foco e ânsia de tocar tudo do que pela falta de encantamento. Hoje faço aulas de piano, sanfona e toco percussão em blocos de carnaval, exclusivamente por prazer e satisfação própria”, ela explica.

A casa de Clarisse não tem uma fórmula perfeita, não é regida por regras do que combina ou descombina e não está preocupada em agradar às visitas. Seu lar é para ficar descalço, para balançar na rede rente às plantas, para encher os olhos (e ouvidos) com tanta cor, e quadros, e memórias, e músicas… um lugar onde o jardim é o coração de tudo, uma janela para fora e para dentro ao mesmo tempo. Uma casa que apaixona qualquer um. * Também amou??? Então fique ligado no Capítulo 2 para conferir mais detalhes da história.

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

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PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

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COMENTÁRIOS # 10

  1. Um pedaço do céu! Q linda!

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  2. MARAVILHOSA! Vcs sabem onde ela comprou esse tapete?
    Obrigada

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    • Oi Marina, tudo bom?
      Na verdade o tapete está na família da Clarisse há anos. É um kilim trazido da Turquia por seus pais.

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  3. Que riqueza de lugar!!!!

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  4. Nem acreditei quando ela estendeu a rede: a casa ficou ainda mais perfeita!

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  5. Eu estou muito apaixonada por essa casa, por esse site e pelo olhar tão sensível de vocês. ❤️

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    • Ai, quanto amor num lugar só!!! 🙂 Muito obrigada pelo carinho.
      Ficamos tão felizes quando encontramos uma casa especial como essa. Faz todo nosso trabalho fazer mais sentido, sabe?
      Que bom que também se encantaram como nós… Beijos

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  6. Nossa… essa casa poderia ser minha! Ahahahah me identifiquei 100%, amei cada detalhe, especialmente essa porta azul e o tapete lindíssimo.

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