O paraíso do FLO Atelier Botânico

A casa repleta de verde da Carol e do Jotta, dois apaixonados por plantas

É impossível entrar na casa da designer Carol Nóbrega e do diretor de arte Antonio Jotta e não ser hipnotizado pelas plantas exóticas e exuberantes que eles colecionam. Quem conhece o trabalho do casal na FLO Atelier Botânico já imagina que seu lar seja repleto de verde, porém ainda assim é surpreendente abrir a porta da sala e se deparar com uma infinidade de folhagens de todos os tipos, como se o espaço fosse uma extensão do jardim. Pensando bem, na morada de dois apaixonados pelo universo botânico, o jardim não poderia apenas se restringir ao quintal dos fundos: ele ocupa o corredor lateral com vasos e mais vasos de cactos, toma conta da sala com espécies que crescem felizes mesmo com menos luz e envolve o canto da rede com ervas e temperos. Sim, nessa casa o verde faz parte de tudo!

Carol e Jotta se conheceram há 9 anos em uma festa em Brasília, mas na época eles nem imaginavam que um dia teriam sua própria marca e poderiam trabalhar com o que mais amam todos os dias. Na verdade, essa história de trabalhar com plantas começou meio por acaso, sem compromisso, como Carol conta:

“O Jotta sempre foi interessado por esse tema. Depois da nossa viagem de lua de mel, voltamos encantados com as floriculturas de Paris, mais especificamente com as do Marais, que pareciam um universo à parte, como jardins secretos. Por acaso, pouco tempo depois ganhamos uma viagem para NY e lá reparamos que nas lojas existiam jardins miniaturas, em vidros, ideais para quem mora na cidade e não tem espaço. O Jotta voltou determinado a aprender a técnica dos terrários, e como quem quer aprender tem que fazer vários, nossa casa ficou cheia deles. Aí um dia uma conhecida nos convidou para um open house e pensamos que seria bacana dar um presente com vida para ela. O terrário fez tanto sucesso que os outros convidados logo quiseram saber mais. Uma semana depois a mesma conhecida nos encomendou mais terrários, assim como outros amigos. As encomendas foram surgindo e resolvemos parar para criar uma marca, entender nosso propósito e desenhar isso de forma que conseguíssemos comunicar o espírito da FLO”, ela lembra.

Essa fase inicial da marca aconteceu quando o casal ainda morava em um apartamento. Do dia para a noite, a área de serviço virou um ateliê de terrários e arranjos, mas eles logo perceberam que precisariam de mais espaço. O próximo passo foi alugar uma casa que funcionasse tanto como morada quanto local de trabalho. “Nesse endereço o nome da rua era Florália e de cara nos apaixonamos. Foi o laboratório perfeito para entendermos como poderíamos seguir com a FLO. Foi onde abrimos uma espécie de showroom e vimos como as pessoas buscavam mais do que um produto especifico, e sim o lifestyle que pulsava ali”.

Tudo corria bem e a marca não parava de crescer, porém em certo momento Carol e Jotta sentiram que precisavam separar a casa do trabalho, então eles foram em busca de um lugar para abrir sua primeira loja + atelier. “Foi um passo gigante e assustador. O conceito era de unir plantas e objetos desse universo que tanto nos encanta, de forma que o design estivesse sempre presente”, explicam. Deu certo! Tão certo que agora a FLO tem dois endereços: um só para a loja e um só para o ateliê, e o casal não precisa mais levar trabalho pra casa – a menos que eles queiram, é claro.

Depois que o ateliê mudou de lugar, o imóvel da rua Florália não fazia tanto sentido para o casal, pois era grande demais, então eles começaram uma nova busca – dessa vez para encontrar o lar ideal. “Queríamos uma casa com jardim e menor, algo que pudéssemos desfrutar melhor”, contam. O destino deu uma forcinha e eles acharam um sobrado com tudo o que queriam: espaço para as plantas e uma sala voltada para os fundos, ao contrário daquelas casas onde a sala fica colada à garagem.

Carol conta que a casa alugada é dos anos 70, mas estava em bom estado. O dono é também o arquiteto que a desenhou, junto com a construção vizinha, ambas pensadas como presentes para seus dois filhos. “Percebe-se que ele fez com afeto”, Carol diz. O casal não precisou reformar ou fazer grandes mudanças na parte interna, mas o jardim foi repaginado completamente com espécies de texturas variadas que proporcionam uma experiência sensorial. Moitas de alecrim, lavanda, jasmim, malva e penta fazem a alegria dos moradores e das borboletas da região. No quadrado dentro dos bancos, o casal deixa as plantas crescerem à vontade, misturadas sem regras, como uma pequena mata mesmo.

Enquanto Carol pende para um lado mais minimalista, Jotta assume seu maximalismo, então a decoração da casa é o encontro desses dois olhares. Na sala, eles trouxeram o verde para dentro da forma mais literal, pintando todas as paredes com um tom escuro. Uma das coisas que eles mais amam em seu trabalho é a eterna busca por plantas diferentes, estranhas, gráficas, lúdicas… algo que desperte sua atenção. E cada planta da sala representa isso de alguma forma. Ao lado do sofá, um armário antigo de fármacia serve de vitrine para os itens menores e mais especiais, como as obras de Azuma Makoto que parecem congelar o tempo, minerais interessantes, fósseis e algumas tillandsias das mais raras.

“O Jotta é muito tranquilo em relação à casa. Ele gosta que eu tenha a palavra final por ter esse perfil virginiano metódico e do menos é mais. Porém eu sou muito contraditória e também amo o mais. Já lutei contra e agora estou na fase de aceitação hahaha. Mas generalizando, onde você bate o olho e tem mais objetos/plantas reunidas, é onde o Jotta arrumou. E onde tem menos, eu. Apesar de sermos tão diferentes, dividimos as mesmas paixões. Gosto de olhar para um canto da casa e achar que tem a cara dele. Talvez por esse motivo, goste ainda mais”, Carol fala.

Dicas bacanas da Carol e do Jotta

Alguma dica de como encontrar o melhor local para as plantas dentro de um espaço fechado?

FLO Atelier Botânico: O primeiro e mais importante passo é entender que as plantas podem complementar sua decoração e inclusive transformar completamente o ambiente, porém elas não são objetos de decoração. Como seres vivos, precisamos ver o que funciona melhor para eles. Passe um tempo olhando como a luz natural entra no seu ambiente e à partir disso pesquise plantas que se adaptem bem. Na nossa sala temos desde plantas de sombra até cactos, basicamente extremos. Amamos essa mistura improvável de formas e texturas. O segredo é sempre achar o local perfeito para que elas possam coexistir.

Quais são as suas espécies preferidas e por que?

FLO: Os cactos são um caso à parte. As formas e texturas são muito hipnotizantes, dá pra ficar horas viajando. O maravilhoso dessas plantas aparentemente hostis é como elas nos transportam para o deserto, talvez nosso lugar preferido do mundo. O deserto faz você repensar tudo, coloca tudo em perspectiva. A resiliência é essencial, coisa que os cactos fazem como ninguém. A lista das plantas e flores poderia continuar… Carol tem uma lista de umas 20 flores preferidas, fora as espécies de tillandsias. E o Jotta literalmente ama todas as plantas. Quando entramos em jardins botânicos falamos “AMO ESSA PLANTA” o tempo todo.

E qual é a espécie mais diferente (exótica ou rara) que vocês têm em casa?

FLO: Uau que difícil. Acaba que temos várias raras já que essa é a nossa paixão. O que mais nos deu prazer ultimamente foi adicionar o cacto coroa-de-frade azul à nossa coleção. Vocês não imaginam o quanto precisamos namorar algumas plantas para seus respectivos ex-donos serem convencidos a nos vender. Várias vêm de colecionadores, como foi o caso desse.

Fotos por Rafaela Paoli

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COMENTÁRIOS # 2

  1. Eu sou costumeiramente observadora da casa alheia e esta definitivamente é o que considero O Paraíso, e eles super lindoncios.

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    • Também amamos essa casa!
      A forma como eles inseriram o verde em tudo ficou demais… 🙂

      Responder

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