Joia portuguesa | Capítulo 2

Uma casa centenária no Porto restaurada pelos moradores

Reformar uma construção centenária pode ser um grande desafio. Existe a preocupação em manter elementos que remetem ao passado do local, mas por um lado é preciso adaptar os ambientes à vida contemporânea. Na reforma de sua casa em Santo Ildefonso, na cidade do Porto, o arquiteto Sergio e a designer de sapatos Cristina encontraram o equilíbrio perfeito entre essas duas necessidades. Alguns espaços foram repaginados e outros até mudaram de lugar, porém a morada ainda preserva muito de seus traços originais e continua sendo uma parte da história da cidade portuguesa.

Tanto Sergio quanto Cristina trabalham em casa, então eles equiparam bem o home office de acordo com o que mais precisavam. “A melhor parte é termos tudo ao nosso alcance e também nosso cão, Iggy, sempre por perto”, dizem. Para o casal, o ambiente de trabalho é um espaço de estrutura mental e determinação de objetivos a curto, médio e longo prazo, então um dos detalhes que eles mais gostam na decoração é a parede de cortiça, pois nela podem fixar imagens de peças ou projetos que estejam desenvolvendo, além de inspirações e referências.

Na casa de um arquiteto e de uma designer, naturalmente o design tem um papel importante na rotina. As cadeiras de trabalho, por exemplo, estão entre os itens favoritos dos moradores. “Elas foram desenhadas pelos irmãos Bouroullec para a marca Matiazzi. Consideramos estas cadeiras obras de arte, porque são conceitualmente estimulantes, no uso dos materiais e em sua estrutura. De certa forma, têm um ar primitivo e a ingenuidade de um primeiro croqui. Contudo, trazem a conjugação de técnicas rigorosas de marcenaria com técnicas digitais de desenho. Em parte, inspiraram o Sergio a fazer o projeto da UVA, onde une o melhor das artes locais com as tecnologias globais”, Cristina explica.

Aproveitando ao máximo a metragem generosa da casa, o casal criou quartos de visita com banheiros integrados, tudo para garantir maior conforto aos amigos e familiares que precisem se hospedar por ali. Nos quartos, as esquadrias de madeira, as passagens em arco e os arremates de gesso ajudam a manter viva a história da construção.

Sergio e Cristina conseguem enxergar tanto o lado prático da vivência na casa, como a poesia escondida nas sutilezas. “É muito importante que uma casa seja confortável, mas todas as instalações têm que ser absolutamente invisíveis, para que a história possa ser realmente visível. A identidade da arquitetura é também muito importante, a forma como se trata a luz natural e a luz artificial nas superfícies do edifício é essencial. Já a decoração acaba por ser sempre mais espontânea e resulta da mistura de peças que colecionamos, artefatos que gostamos, objetos que precisamos e presentes de amigos”, definem. De fato, além da arquitetura histórica, o que realmente faz de seu lar um lugar especial são as menores coisas: o cão, os livros, os objetos e alguns pequenos segredos.

Fotos por Alessandro Guimarães

Onde Encontrar

Peças inspiradas nessa história

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