Passado presente | Capítulo 1

Uma casa com clima aconchegante e arquitetura surpreendente

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

 Passado e presente se encontram lindamente no lar da atriz e produtora Gisele Lavalle e do arquiteto Victor Oliveira Castro, na Vila Mariana. Se por um lado a construção e o bairro ainda revelam detalhes charmosos de antigamente, por outro a arquitetura traz elementos contemporâneos adicionados pelo casal – que sempre sonhou em morar numa casa. Foram quase dois anos de busca e muitas frustrações, tanto que Gisele e Victor por pouco não desistiram: “Chegamos a cogitar alguns apartamentos por causa do valor, mas a ideia da casa sempre voltava. Queríamos a liberdade e a autonomia que uma casa dá. E namorávamos a possibilidade de ter uma área externa, mesmo que pequena, com jardim e espaço para receber os amigos”, ela conta.

Por sorte, e também por acaso, eles descobriram uma casinha antiga e logo se identificaram com o espaço. “O bairro e a rua, em especial, eram totalmente de vovó: silenciosos, com idosos passeando, cachorros, muitas árvores, construções com portãozinho baixo… e o clima da casa era o mesmo, bem acolhedor. Os antigos proprietários tinham muito carinho pelo lugar e isso também nos encantou”, a moradora lembra. Era tanto sentimento envolvido que Victor teve o cuidado de preservar essa atmosfera aconchegante mesmo com as alterações da reforma – e olha que não foram poucas.

Antes da reforma a casa era escura e compartimentada: tinha uma sala apertada, a cozinha era muito estreita e havia até um porão no andar de baixo. Em busca de mais claridade e de um maior diálogo entre os espaços, Victor mudou quase tudo de lugar – apenas o quarto do casal manteve a posição original. O mais legal é que logo na entrada já dá para sentir essa diferença, pois agora os três andares da construção se conectam visualmente tendo a grande escada de madeira como eixo de ligação. A cozinha virou ateliê, o porão virou cozinha, a edícula virou pátio e a sala foi parar no andar de baixo, aberta para a área externa.

Para fazer essa verdadeira revolução na casinha, a reforma durou exatos 363 dias. Como Victor estava tocando outros projetos em paralelo e o casal não podia investir em muitos profissionais de uma só vez, eles decidiram ir com calma e escolher cada item com tranquilidade – afinal esse é um projeto para a vida toda. “Foi um trabalho de arqueologia porque a casa é bem velhinha, de 1951, e várias outras obras haviam sido feitas antes. A cada retirada de parede íamos descobrindo coisas que estavam meio escondidas, como a escada encoberta por muitas camadas de tinta branca ou os tijolões. Às vezes a obra parecia um labirinto, com escoras e barrotes de madeira”, Gisele conta.

Depois de dimensionar os espaços seguindo uma lógica racional, chegou a hora de ouvir o coração para escolher os materiais, móveis e objetos que iriam compor o interior da casa. Parte do mobiliário é uma extensão da arquitetura, como a bancada de concreto da cozinha que vira lareira e avança como banco no pátio externo, mas muitos detalhes têm boas lembranças por trás. O conjunto de tapete e pufe de crochê foi feito pela mãe de Gisele, o painel da cozinha colorido é uma criação do irmão de Victor especialmente para eles, as samambaias vieram da festa de casamento, a renda-portuguesa era da avó paterna da moradora e por aí vai. “A gente sempre procurou trazer um pouco da história da nossa família para a casa”.

A ligação de Victor com a arquitetura começou cedo. Ele sempre conviveu com o tema, mesmo antes de saber – o conjunto habitacional em que morou na infância e sua antiga escola foram projetados por ninguém menos que Vilanova Artigas. Além disso, a paixão pelo skate o levou a enxergar as ruas, praças e construções da cidade sob outra perspectiva. Entendendo a arquitetura da escala macro à micro, ele pôde enfim concretizar seu conceito de casa dos sonhos ao lado de Gisele.

“Nossa casa tem uma ideia de ninho mesmo. Um espaço tanto para trabalhar, ensaiar e receber os amigos, como para poder tranquilizar e internalizar um pouco. Quando a gente entra em casa, parece que vira outra chavinha, de uma vibração mais nossa, independente do que rolou lá fora”, eles dizem. * Curioso para ler o restante da matéria? Então clica no ‘Continua’ abaixo.

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PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

Fotos por Rafaela Paoli

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Histórias

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